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Questão FC910824

A historiografia da arte brasileira tem revisado interpretações tradicionais sobre seus movimentos e artistas, buscando perceber tensões internas, negociações culturais e disputas

Correntes Pedagógicas e Teorias da Aprendizagem

IAUPE · 2026

A historiografia da arte brasileira tem revisado interpretações tradicionais sobre seus movimentos e artistas, buscando perceber tensões internas, negociações culturais e disputas simbólicas. Considerando essas revisões, assinale a alternativa que apresenta uma leitura mais consistente sobre a constituição da arte brasileira.

  1. O modernismo de 1922 buscou afirmar uma identidade cultural brasileira por meio do diálogo com referências europeias, ainda que descontinuando estruturas hierárquicas de valorização estética.
  2. O Neoconcretismo representou um distanciamento radical de toda a tradição construtivista, privilegiando, sobretudo, o gesto expressivo individual do artista.
  3. O Barroco brasileiro consolidou um estilo unificado no território, relativamente indiferente às contradições sociais e políticas do período colonial.
  4. A Tropicália reelaborou criticamente referências eruditas e populares, tensionando cultura de massa, política e experimentalismo, desafiando hierarquias entre alta cultura e cultura popular.
  5. O modernismo paulista incorporou referências indígenas como símbolo da nação, abrindo debates significativos sobre a contribuição dos povos originários na constituição cultural do país.
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Gabarito

D

Comentário do professor

A Tropicália, surgida no fim dos anos 1960, reelaborou referências eruditas e populares ao combinar elementos do rock, de ritmos brasileiros e de procedimentos de vanguarda nas artes visuais e cênicas.

Ao incorporar instrumentos elétricos, colagens sonoras, estética performativa e recursos da mídia, o movimento desenvolveu um experimentalismo que dialogava simultaneamente com a cultura de massa e com a tradição acadêmica.

Essa articulação expôs tensões entre entretenimento e crítica social, pois muitas obras transformavam mecanismos de difusão massiva em dispositivos de intervenção política.

Ao subverter a divisão entre alta cultura e cultura popular, a Tropicália construiu uma estética híbrida que questionou hierarquias e fronteiras canônicas na arte brasileira.

No contexto da ditadura militar, essa postura estética também funcionou como forma de resistência simbólica, mostrando que a constituição da arte nacional é produto de negociações e disputas culturais.

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