Questão FC911636
JOAQUIM E como o Fabrício vai filmar o aroma das corticeiras em flor?
Audiovisual e Cinema
FUNDATEC · 2024
De acordo com Hugo Moss (2002): “É a parte visual do roteiro, na qual se relata o que se passa na tela. Descrições das personagens, o que eles estão fazendo, os lugares, e tudo que os espectadores vão conseguir e precisar capturar visualmente. E nada mais! Tente recriar a experiência de assistir à sua cena tendo apenas as informações que o espectador terá, observando detalhes sobre as pessoas e lugares na mesma ordem em que a plateia verá no cinema”. Ao destacar o “nada mais”, o escritor se refere ao que é infilmável.
No filme “Saneamento Básico, O Filme” (2007), escrito e dirigido por Jorge Furtado, há a seguinte cena que exemplifica tal problema de roteiro:
JOAQUIM Guardei o café passado. E o roteiro?
MARINA Está aqui.
JOAQUIM (lendo) O monstro da fossa, roteiro de Marina Marghera Figueiredo. Ah é?
MARINA Com a colaboração de Joaquim Figueiredo.
JOAQUIM Colaboração ...
MARINA Quem escreveu fui eu. Você só inventou a história.
JOAQUIM Tá bom. (lendo) Nossa história começa numa pequena e tranqüila comunidade ao pé de uma montanha. Uma brisa refrescante traz do vale o aroma das corticeiras em flor. (pára de ler) Como é que você vai filmar isso?
MARINA 0 quê?
JOAQUIM O aroma das corticeiras em flor.
MARINA Não vou filmar, quem vai filmar é o Fabrício.
JOAQUIM E como o Fabrício vai filmar o aroma das corticeiras em flor?
O texto de Hugo Moss faz referência a um elemento importante da escrita de um roteiro.
Assinale a alternativa que corresponde a tal elemento.
- Ação.
- Colaboração.
- Diálogo.
- Ficção.
- Roteiro.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Ação é a descrição estritamente visual do roteiro: o que aparece na tela, em tempo presente, descrevendo movimentos, gestos, objetos e acontecimentos que o espectador pode ver. Deve ser concisa, objetiva e organizada na ordem em que o público verá.
Quando Hugo Moss diz “nada mais” ele aponta o cuidado de evitar elementos infilmáveis, como cheiros, pensamentos ou julgamentos, que não podem ser mostrados diretamente. Esses conteúdos pertencem à narrativa em voz, diálogo ou subtexto, não à ação.
No exemplo de Saneamento Básico, a frase sobre o aroma das corticeiras ilustra esse problema: o cheiro não é imagem. O roteirista deve transformar isso em imagens e sons, por exemplo mostrando folhas caindo, close em faces inalando ou reação dos personagens, para tornar o intangível visível.
A ação, portanto, é o alicerce do roteiro cinematográfico: descreva o que se vê, no presente, com precisão e economia.
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