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Questão FC228424

De fato, a história não está ligada ao homem nem a nenhum objeto particular. Ela consiste, inteiramente, em seu método, cuja experiência prova que ela é indispensável para inventar

Princípios de Sociologia

FCC · 2022

De fato, a história não está ligada ao homem nem a nenhum objeto particular. Ela consiste, inteiramente, em seu método, cuja experiência prova que ela é indispensável para inventariar a integralidade dos elementos de uma estrutura qualquer, humana ou não humana. Portanto, longe de a busca da inteligibilidade levar à história como seu ponto de chegada, é a história que serve de ponto de partida para toda busca da inteligibilidade. Tal como se diz de algumas carreiras, a história leva a tudo mas com a condição de sair dela

 

(Adaptado de: Claude Lévi-Strauss, O Pensamento Selvagem. Campinas: Papirus, 1989, pp. 290-291)

 

Sobre Claude Lévi-Strauss e sua Antropologia Estrutural, é correto afirmar:

  1. o autor defendia a necessidade de estudar cada cultura em sua singularidade histórica, considerando ao mesmo tempo que as culturas se transformam por meio do contato interétnico, por meio do fenômeno da difusão cultural.
  2. o autor compreendia a cultura como um conjunto de interpretações, devendo a Antropologia consistir em uma interpretação de segundo grau, isto é, uma interpretação de interpretações.
  3. as mais variadas culturas, não obstante sua diversidade, compartilham de determinadas estruturas universais, próprias ao pensamento humano de maneira geral.
  4. seu objeto são as funções exercidas pelos costumes e crenças em cada organismo social, o qual poderia ser estudado de maneira semelhante à de um organismo físico.
  5. o autor realizava comparações entre as diferentes culturas, em busca do fundamento do qual todas elas derivam, cada qual delas ocupando posições distintas na mesma progressão evolutiva.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Claude Lévi-Strauss, na Antropologia Estrutural, parte da ideia de que o que se repete entre culturas não é o conteúdo específico, mas a forma de organizar esse conteúdo: as regras profundas que governam crenças, mitos e relações sociais.

Para ele, existe um conjunto de estruturas universais do pensamento humano — padrões cognitivos que se manifestam em diferentes sociedades sob formas diversas. A tarefa do antropólogo é revelar essas regras subjacentes.

Um exemplo típico são as oposições binárias (vida/morte, natureza/cultura), que aparecem em mitos e ritos como maneiras de ordenar a experiência. Lévi‑Strauss usa analogias com a linguística: há uma “sintaxe” cultural profunda e variações superficiais.

Portanto, a afirmação é correta: apesar da diversidade, culturas compartilham estruturas mentais universais que explicam a regularidade dos fenômenos culturais.

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