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Questão FC228689

[...] a despeito das visíveis lacunas existentes na política regional, nesta década de 2000, a trajetória da desconcentração assumiu novos contornos mais benignos, e mesmo o cresci

Pobreza e Desenvolvimento

FCC · 2024

[...] a despeito das visíveis lacunas existentes na política regional, nesta década de 2000, a trajetória da desconcentração assumiu novos contornos mais benignos, e mesmo o crescimento econômico — que tão bem conviveu ao longo da história brasileira com níveis elevados de desemprego —, passou a se dar em cenário de pleno emprego nas demandas de trabalhos regionais. Avançou-se qualitativamente em relação ao comportamento predominante para a questão regional na década de 1990 marcado pelo baixo crescimento econômico, elevado desemprego e fraca atuação governamental. [...] Do ponto de vista do tratamento da questão territorial, o governo federal construiu uma agenda de fortalecimento das economias regionais que possibilitou uma atuação mais ativa do gasto em investimento federal em prol da desconcentração produtiva. O perfil regional do crescimento continuou sendo mais positivo para as economias 'periféricas' nessa fase de recomposição de recursos e instrumentos de desenvolvimento regional. Com isso, essas últimas apresentaram taxas superiores à média nacional: o Nordeste, com 1,0% acima da média brasileira; o Norte, com 3,5% acima; e a região Centro-Oeste, 1,7% superior.

(Adaptado de: MONTEIRO NETO, Aristides. Desigualdades regionais no Brasil: características e tendências recentes. Boletim regional, urbano e ambiental, n.19, Ipea, jan. 2011. pp. 67-81)

 

A respeito das desigualdades regionais do Brasil na década de 2000:

  1. A atuação do governo com o fim de alterar o quadro de concentração territorial da atividade industrial continuou irrelevante, com o mercado definindo as prioridades nesta questão.
  2. Os esforços políticos e os resultados alcançados representaram importantes mudanças nas tradicionais desigualdades, mas a composição territorial das atividades econômicas permaneceu muito dispar entre as regiões.
  3. Em relação à distribuição das atividades industriais no território nacional, a concentração nas regiões Sul e Sudeste foi ainda maior do que nos anos anteriores.
  4. A política macroeconômica do governo federal impediu uma trajetória de crescimento das regiões menos desenvolvidas, tendo em vista sua política de restrição de crédito ao setor privado.
  5. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) diminuiu sua participação no financiamento da política industrial do período, o que prejudicou a trajetória de investimentos no Norte e Nordeste do país.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A alternativa aponta corretamente que houve importantes mudanças promovidas por políticas federais — maior gasto em investimentos e uma agenda de fortalecimento regional — que estimularam a desconcentração e resultaram em crescimento relativo das regiões periféricas (Nordeste +1,0% acima da média; Norte +3,5%; Centro‑Oeste +1,7%) e em cenário de pleno emprego.

Entretanto, a frase sublinha que a composição territorial das atividades econômicas permaneceu bastante desigual: a estrutura produtiva, as redes de infraestrutura, capitais privados e as aglomerações industriais históricas continuaram concentradas em determinadas regiões, limitando uma mudança estrutural completa.

Assim, a alternativa B sintetiza a ideia do texto: avanços reais e relevantes, mas sem reversão total das disparidades estruturais entre regiões.

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