Questão FC276504
Dentro de uma perspectiva positivista, o trabalho dos psicólogos no sistema penal restringiu-se por muito tempo a elaborar pareceres técnicos, realizar classificações, construir di
Temas Contemporâneos (Nova Criminologia)
FGV · 2024
Dentro de uma perspectiva positivista, o trabalho dos psicólogos no sistema penal restringiu-se por muito tempo a elaborar pareceres técnicos, realizar classificações, construir diagnósticos e estabelecer prognósticos. Em 2003, alterações na LEP retiraram a obrigatoriedade do exame criminológico no âmbito da execução penal, mas o STF manteve a possibilidade de magistrados determinarem, de forma motivada, a realização dos mesmos.
Dentre as críticas aos exames criminológicos temos:
I. os exames reificam discursos que sustentam a compreensão do conflito a partir de uma suposta natureza perigosa amparada em traços pessoalizados e não a partir de uma relação dialética entre indivíduo e produções sócio-históricas;
II. as avaliações recorrem ao passado da massa carcerária, revestidas de procedimentos com certo grau de cientificidade, encontrando uma série de variáveis presumíveis como causas e determinantes para o crime ou sua reincidência, reproduzindo uma série de estereótipos e preconceitos que permeiam os processos de criminalização de nossa sociedade;
III. os efeitos mortificadores de prisão devem passar pelo olhar crítico da Psicologia, entendendo que o lugar de mera classificação ou função pericial visa a ligar criminalidade e pobreza e manter sustentadas e justificadas as medidas prisionais como controle diferencial e privilegiado do crime.
Está correto o que se afirma em:
- somente I;
- somente II;
- somente III;
- somente I e II;
- I, II e III.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A alternativa aponta corretamente que os exames criminológicos, na prática positivista, reificam o indivíduo: transformam características pessoais em explicações finais da conduta, privilegiando a ideia de traços pessoalizados de “perigosidade” em vez de analisar a relação entre sujeito e contexto social.
Além disso, essas avaliações frequentemente se apoiam em procedimentos com aparência de cientificidade que correlacionam histórico e variáveis sociais a causas do crime, o que tende a reproduzir estereótipos e preconceitos presentes nos processos de criminalização.
Por fim, é legítimo afirmar que o trabalho do psicólogo não pode limitar‑se à classificação pericial: é necessária uma postura crítica que reconheça os efeitos mortificadores do cárcere e questione o uso da prisão como controle social, sobretudo na criminalização da pobreza. Esse olhar amplia a atuação para defesa de direitos humanos e propostas alternativas à pena.
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