Questão FC276512
“Fui na delegacia e falei com o tenente. [...] O tenente interessou-se pela educação dos meus filhos. Disse-me que a favela é um ambiente propenso, que as pessoas tem mais possibil
Temas Contemporâneos (Nova Criminologia)
FGV · 2023
“Fui na delegacia e falei com o tenente. [...] O tenente interessou-se pela educação dos meus filhos. Disse-me que a favela é um ambiente propenso, que as pessoas tem mais possibilidades de delinquir do que tornar-se útil a pátria e ao país.”
(JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. 10 ed. São Paulo: Ática, 2014, p. 29)
No contexto do texto apresentado, é correto afirmar, quanto à formação da identidade criminosa das mulheres negras, que:
- o perfil criminoso será determinado exclusivamente pela classe social à qual pertence, não dependendo para o etiquetamento degradante a leitura social de questões relacionadas a gênero, raça/etnia ou proveniência geográfica;
- as mulheres negras são invisibilizadas quanto à intervenção policial no controle de seu comportamento, haja vista que, em razão de suas péssimas condições de sobrevivência, sempre se fizeram presentes às ruas e ao trabalho;
- a predominância da pobreza não influencia na formação da identidade criminosa das mulheres negras, pois basta a condição de descendentes de escravizadas;
- a predominância da pobreza é um dos cernes da identidade criminosa das mulheres negras, pois recairá sobre esta, em razão do estrato social a que pertence, forma determinante do perfil criminoso;
- as mulheres negras são invisibilizadas quanto à intervenção policial no controle de seu comportamento, haja vista que sempre foram reguladas no âmbito doméstico, onde ficaram a serviço dos patrões.
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Gabarito
D
Comentário do professor
A alternativa indica corretamente que a predominância da pobreza é núcleo na formação da identidade criminosa das mulheres negras: a condição socioeconômica define oportunidades, trajetórias e exposições sociais.
A falta de recursos impulsiona estratégias de sobrevivência e aumenta o contato com mecanismos de controle social — maior vigilância, abordagens policiais e inserção em mercados informais — que elevam a probabilidade de criminalização.
Além disso, a pobreza alimenta o estigma e a rotulação: agentes estatais e a sociedade tendem a interpretar comportamentos por uma lente preconceituosa, convertendo vulnerabilidade em “propensão ao crime”.
A interseccionalidade com raça e gênero potencializa essa dinâmica, resultando em vulnerabilização institucional e reprodução de perfis criminais socialmente construídos.
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