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Questão FC291837

Como se sabe, os dispositivos elaborados para tratar da violência articulam diferenças de raça, de classe e de gênero e, assim, facilitam, naturalizando, as acusações que designam

Princípios de Sociologia

CEBRASPE (CESPE) · 2022

Como se sabe, os dispositivos elaborados para tratar da violência articulam diferenças de raça, de classe e de gênero e, assim, facilitam, naturalizando, as acusações que designam os homens negros como propícios ao crime e às incivilidades, em contraste com as mulheres, posicionadas, nesse jogo relacional, como aquelas que melhor corporificam os valores morais. [...] É como se houvesse um consenso difuso e amplamente partilhado sobre a superioridade moral das mulheres em relação à violência e ao crime, que abrange tanto pontos de vista religiosos como seculares; e, de certa forma, o que relatamos aponta para os homens como o alvo dos trabalhos pastorais e para as mulheres como aquelas que teriam uma pouco questionada e (muito acionada) aderência aos valores morais seculares e cristãos.


Patrícia Birman. Narrativas seculares e religiosas sobre a violência: as fronteiras do humano no governo dos pobres. In: Sociologia e Antropologia. 9(1), jan.-abr./2019, p. 122 (com adaptações).

 

A partir do texto precedente, julgue o próximo item.

 

A naturalização de atos violentos pode ser interpretada, à luz da teoria sociológica de Émile Durkheim, como um fato social de caráter patológico e, portanto, sua superação depende da normalização da sociedade.

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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A assertiva é errada porque simplifica a teoria durkheimiana. Para Durkheim, um fato social existe independentemente das vontades individuais e pode ser considerado normal ou patológico segundo a regularidade e a função que exerce na sociedade, não por um juízo moral imediato.

A naturalização da violência descrita no texto revela normas e representações sociais vinculadas a raça e gênero; isso é um fenômeno social, mas Durkheim admite que certas formas de violência ou crime podem cumprir funções sociais e, portanto, não são automaticamente apenas "patológicas".

Além disso, sua superação não se reduz à mera "normalização" abstrata: requer rearticulação das representações coletivas, educação moral e reformas institucionais que modifiquem as estruturas sociais que legitimam a violência.

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