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Questão FC291924

Recentemente, a “nova esquerda” dos novos movimentos sociais, dos movimentos das minorias sobretudo, passou a tematizar o “direito à diferença”. Com base na convicção da “legitimid

Cultura e Sociedade

CEBRASPE (CESPE) · 2022

Recentemente, a “nova esquerda” dos novos movimentos sociais, dos movimentos das minorias sobretudo, passou a tematizar o “direito à diferença”. Com base na convicção da “legitimidade das diferenças”, passou-se a propor como novos imperativos categóricos para a esquerda o “respeito às diferenças”, a “defesa das identidades coletivas”, a “preservação das particularidades culturais”, o “respeito das mentalidades específicas”, a “irredutibilidade das experiências de gênero” e assim por diante. Ora muito bem, estas novas divisas de esquerda, que podem ser resumidas na reivindicação do “direito à diferença”, trazem em si mesmas um ardil, que a meu ver provém justamente desta sua ambiguidade, uma debilidade hereditária: o fato de ter sido o amor da diferença alimentado no campo (ultra)conservador duzentos anos a fio, e só mui recentemente incorporado em algumas faixas ou zonas do campo de esquerda, este fato torna o clamor pelo “direito à diferença” dificilmente distinguível da defesa das diferenças própria do estoque de certezas do senso comum conservador.


Antônio Flávio Pierucci. Ciladas da diferença. In: Tempo Social. São Paulo, 2 (2), p. 15-16, 1990 (com adaptações).

 

A partir das reflexões apresentadas no texto precedente, julgue o próximo item.

 

Dado o amplo arcabouço de perspectivas em que se discute, hoje, a diversidade cultural e étnica, percebe-se que a defesa da diferença constitui agenda incontroversamente assumida pelo espectro político associado à esquerda e rechaçada pelo espectro conservador.

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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A afirmação é errada porque simplifica e homogeneíza o campo político. Não é verdade que a defesa do direito à diferença seja “incontroversamente” assumida pela esquerda nem que seja uniformemente rechaçada pelo espectro conservador.

Historicamente, correntes marxistas criticaram reivindicações particularistas, enquanto setores conservadores valorizaram certas diferenças culturais e identitárias. Nas últimas décadas, parcelas da esquerda incorporaram agendas de reconhecimento; ao mesmo tempo, variadas correntes conservadoras também articulam defesa de identidades (por ex., nacionalistas ou tradicionalistas).

Assim, a prática política revela disputas e sobreposições: a pauta da diferença é objeto de apropriações, críticas e reformulações em ambos os lados, não um monopólio ideológico. Por isso o item é incorreto.

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