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Questão FC291925

Recentemente, a “nova esquerda” dos novos movimentos sociais, dos movimentos das minorias sobretudo, passou a tematizar o “direito à diferença”. Com base na convicção da “legitimid

Cultura e Sociedade

CEBRASPE (CESPE) · 2022

Recentemente, a “nova esquerda” dos novos movimentos sociais, dos movimentos das minorias sobretudo, passou a tematizar o “direito à diferença”. Com base na convicção da “legitimidade das diferenças”, passou-se a propor como novos imperativos categóricos para a esquerda o “respeito às diferenças”, a “defesa das identidades coletivas”, a “preservação das particularidades culturais”, o “respeito das mentalidades específicas”, a “irredutibilidade das experiências de gênero” e assim por diante. Ora muito bem, estas novas divisas de esquerda, que podem ser resumidas na reivindicação do “direito à diferença”, trazem em si mesmas um ardil, que a meu ver provém justamente desta sua ambiguidade, uma debilidade hereditária: o fato de ter sido o amor da diferença alimentado no campo (ultra)conservador duzentos anos a fio, e só mui recentemente incorporado em algumas faixas ou zonas do campo de esquerda, este fato torna o clamor pelo “direito à diferença” dificilmente distinguível da defesa das diferenças própria do estoque de certezas do senso comum conservador.


Antônio Flávio Pierucci. Ciladas da diferença. In: Tempo Social. São Paulo, 2 (2), p. 15-16, 1990 (com adaptações).

 

A partir das reflexões apresentadas no texto precedente, julgue o próximo item.

 

A preocupação com a diferença, presente na agenda contemporânea, está associada à defesa do indivíduo e, assim, remete às bases conservadoras em termos políticos.

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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A afirmação é julgada **Certo** porque o texto mostra que a valorização do “direito à diferença” não é neutra: historicamente ela foi cultivada pelo campo conservador como forma de proteger identidades e particularidades contra projetos igualitários e igualizadores.

Ao enfatizar a **defesa do indivíduo** e das singularidades culturais, a agenda da diferença pode convergir com princípios conservadores — pluralismo de costumes, respeito às tradições e limitação das intervenções coletivas — em vez de com a tradição de esquerda que prioriza a universalidade e a redistribuição.

Portanto, a adoção dessa pauta pela "nova esquerda" cria uma ambiguidade que torna o clamor pela diferença politicamente alinhável às **bases conservadoras**, como observado por Pierucci.

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