Questão FC291927
Durante a criação do Grupo de Trabalho Interministerial População Negra, o então presidente Fernando Henrique Cardoso adotou uma postura bastante progressista e enfatizou a necessi
Cultura e Sociedade
CEBRASPE (CESPE) · 2021
Durante a criação do Grupo de Trabalho Interministerial População Negra, o então presidente Fernando Henrique Cardoso adotou uma postura bastante progressista e enfatizou a necessidade de modificar o quadro de discriminação por cor, bem como de encontrar mecanismos e processos capazes de tornar mais democrática a relação entre raças, grupos sociais e classes sociais. Apesar dessas importantes mudanças no modo como o Estado brasileiro historicamente se posicionava em relação à questão racial, a adoção de políticas afirmativas, como as cotas nas universidades, teve início somente após a realização da III Conferência Mundial Contra a Discriminação Racial, o Racismo, a Xenofobia e a Intolerância Correlata, ocorrida em 2001, em Durban, na África do Sul. A partir de então, foi possível identificar uma resposta ativa, por meio da criação e(ou) potencialização de órgãos governamentais dedicados ao tratamento das questões raciais nos países latinos.
Luciana Garcia de Mello. Da crítica à política: tensões entre reconhecimento e democracia racial
na política de cotas da UFRGS. In: Civitas, 17(2), maio-ago./2017, p. 311 (com adaptações).
Com relação a questões sociológicas envolvendo diversidade étnica e cultural, julgue o item subsecutivo.
A realidade brasileira mostra que ações direcionadas ao enfrentamento da desigualdade racial permanecem fundamentais.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A afirmação foi julgada CERTO porque o texto evidencia que, embora o governo de Fernando Henrique Cardoso tenha adotado uma postura progressista ao criar o Grupo de Trabalho Interministerial População Negra, a efetiva implementação e ampliação de políticas afirmativas — especialmente as cotas — só se consolidou a partir da III Conferência de Durban (2001), quando houve maior mobilização internacional e fortalecimento de órgãos estatais.
Do ponto de vista sociológico, isso é coerente: a desigualdade racial no Brasil persiste em indicadores de renda, escolaridade, saúde e representação. Assim, apesar de avanços institucionais, ações públicas contínuas e direcionadas permanecem essenciais para enfrentar estruturas históricas de discriminação e promover maior equidade.
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