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Questão FC291928

Durante a criação do Grupo de Trabalho Interministerial População Negra, o então presidente Fernando Henrique Cardoso adotou uma postura bastante progressista e enfatizou a necessi

Cultura e Sociedade

CEBRASPE (CESPE) · 2021

Durante a criação do Grupo de Trabalho Interministerial População Negra, o então presidente Fernando Henrique Cardoso adotou uma postura bastante progressista e enfatizou a necessidade de modificar o quadro de discriminação por cor, bem como de encontrar mecanismos e processos capazes de tornar mais democrática a relação entre raças, grupos sociais e classes sociais. Apesar dessas importantes mudanças no modo como o Estado brasileiro historicamente se posicionava em relação à questão racial, a adoção de políticas afirmativas, como as cotas nas universidades, teve início somente após a realização da III Conferência Mundial Contra a Discriminação Racial, o Racismo, a Xenofobia e a Intolerância Correlata, ocorrida em 2001, em Durban, na África do Sul. A partir de então, foi possível identificar uma resposta ativa, por meio da criação e(ou) potencialização de órgãos governamentais dedicados ao tratamento das questões raciais nos países latinos.

 

Luciana Garcia de Mello. Da crítica à política: tensões entre reconhecimento e democracia racial

na política de cotas da UFRGS. In: Civitas, 17(2), maio-ago./2017, p. 311 (com adaptações).

 

Com relação a questões sociológicas envolvendo diversidade étnica e cultural, julgue o item subsecutivo.

 

No contexto brasileiro, a questão racial é preterida em função da existência de outras tantas intolerâncias que foram e ainda são praticadas.

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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A afirmação é errada porque, no Brasil, a questão racial não foi preterida: pelo contrário, é central e persistentemente tematizada devido ao legado da escravidão e ao racismo estrutural. Essa centralidade se traduz em debates públicos, mobilização de movimentos sociais e criação de políticas e instrumentos estatais específicos.

Exemplos: a tipificação e repressão do crime de racismo na legislação, a criação da SEPPIR (órgão federal para políticas de igualdade racial), programas de ação afirmativa e a Lei de Cotas nas universidades, além do reconhecimento de comunidades quilombolas e da coleta de dados raciais pelo IBGE. Essas medidas mostram tratamento proativo, não negligência.

A coexistência de outras intolerâncias não invalida a singularidade da questão racial; muitas políticas atuais reconhecem sua interseccionalidade com classe e gênero.

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