Questão FC291945
0Em termos históricos, a gestão do complexo capitalista-escravocrata no Brasil requereu, no marco de um projeto de construção nacional socialmente excludente e de modernização pelo
Cultura e Sociedade
CEBRASPE (CESPE) · 2021
0Em termos históricos, a gestão do complexo capitalista-escravocrata no Brasil requereu, no marco de um projeto de construção nacional socialmente excludente e de modernização pelo alto, a montagem de uma maquinaria institucional de controle preventivo e repressivo de condutas das classes desprivilegiadas, operando como suporte das distinções de classe e raça que importavam manter na passagem da colônia à nação independente. Em certo sentido, a formação das polícias no Brasil significou a transferência e a extensão das tecnologias de poder mobilizadas pelo senhor no controle dos escravos para os homens livres e pobres circulando pelas cidades em rota de urbanização acelerada. Por aí se pode ver algo como a constituição de um aparato repressivo de Estado no espelho da gestão soberana, disciplinar e privada das classes subalternas.
Laurindo Dias Minhoto. Encarceramento em massa, racketeering de
Estado e racionalidade neoliberal. In: Lua Nova, 109, jan.-abr./2020, p. 175 (com adaptações).
Com base na discussão sociológica do tema da violência e na perspectiva colocada no texto precedente, julgue o item seguinte.
Quando se refere a um “aparato repressivo de Estado”, o texto apresentado indica haver uma complexa realidade e organização estatal desenhadas com o fim de exercer determinados tipos de violência.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A afirmação foi julgada CERTO porque o texto descreve claramente a existência de um aparato repressivo de Estado — isto é, uma organização complexa, institucionalizada e intencionalmente desenhada para exercer formas específicas de violência e controle sobre populações desfavorecidas.
O autor aponta mecanismos concretos: a transferência das tecnologias de poder do senhor de escravos para as polícias urbanas e a montagem de instituições de controle preventivo e repressivo, sustentando distinções de classe e raça no processo de “modernização pelo alto”.
Na perspectiva sociológica, isso combina violência estatal direta (repressão física), violência institucional (normas e práticas administrativas) e violência estrutural (exclusão social), evidenciando que o termo usado no enunciado aponta para uma realidade organizada e multifacetada de coerção estatal.
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