Questão FC291957
Os estudos quantitativos sobre a inserção no mercado de trabalho no Brasil demonstraram que os negros estão sempre em desvantagem em relação aos brancos nas chances de mobilidade s
Globalização
CEBRASPE (CESPE) · 2021
Os estudos quantitativos sobre a inserção no mercado de trabalho no Brasil demonstraram que os negros estão sempre em desvantagem em relação aos brancos nas chances de mobilidade social, pois estão mais submetidos a um “ciclo de desvantagens acumulativas”, que remete às desigualdades presentes na origem social ou, mais precisamente, na ocupação e no nível educacional dos pais, o que permanece nas esferas da educação e do trabalho nas trajetórias de vida dos negros. Outro fator componente das desvantagens acumulativas é a distribuição geográfica desigual de grupos de cor no território brasileiro: os brancos ocupam majoritariamente o Sul e o Sudeste, e os negros, as regiões historicamente menos desenvolvidas do ponto de vista econômico, numa distribuição resultante da dinâmica da escravidão no Brasil e da política de migração europeia que introduziu os trabalhadores brancos europeus principalmente no Sul e no Sudeste.
Jordão Horta Nunes e Neville Julio de Vilasboas e Santos. A desigualdade no “topo”:
empregadores negros e brancos no mercado de trabalho brasileiro. In: Civitas, 16(2),
abr.-jun./2016, p. 90 (com adaptações).
Tendo o texto apresentado como referência inicial e considerando a exclusão racial no contexto do mercado de trabalho no Brasil, julgue o item que se seguem.
O esforço individual é o que permite a superação das desigualdades de origem.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A afirmação foi julgada ERRADO porque atribui toda a superação das desigualdades ao esforço individual, desconsiderando fatores estruturais. Estudos mostram que a cor/raça e a origem social condicionam acesso à educação de qualidade, ocupação dos pais, redes de contato e localização territorial, gerando um ciclo de desvantagens acumulativas que limita oportunidades ao longo da vida.
Discriminação direta e indireta, segmentação ocupacional e menor capital social reduzem consistentemente as probabilidades de mobilidade, independentemente do esforço. Por isso, a superação plena exige também políticas públicas — reformas educacionais, ações afirmativas e medidas antidiscriminatórias — que corrijam desigualdades estruturais.
Em suma: o esforço individual contribui, mas não é suficiente frente a barreiras sistêmicas.
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