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Questão FC291994

Cê lá faz ideia Tupac já dizia: “Algumas coisas nunca mudam...” Algumas coisas nunca mudam... Aí! São... regras do mundão. Perdi a conta de quantos escondem a bolsa se digo “Que ho

Gênero e Sexualidade

CEBRASPE (CESPE) · 2019

Cê lá faz ideia

 

Tupac já dizia:
“Algumas coisas nunca mudam...”
Algumas coisas nunca mudam...

 

Aí! São... regras do mundão.
Perdi a conta de quantos escondem a bolsa se digo
“Que horas são?”
Taxistas perguntam mais que policiais a mim.
Sim! Indescritível como é ruim.
Nasci vilão, só veneno.
Com o incentivo que me dão, errado tô se eu não virar memo.
Suor na cara, levando currículo do cara...
Até porque onde eu moro, buso não para.
Pé de barro, meio dia, inspirando piada nos boy, transpirando medo nas tias.
Tudo é tão óbvio. Cê não vê que vai juntando ingrediente da bomba relógio
Eu sinto dor (Dor), eu sinto ódio (Ódio), é quente,
Sem nem saber o nome dessa gente
Católica, de bem, linda...
Cê já notou? Pior que nem falei minha cor ainda!

 

Cê lá faz ideia do que é ver vidro subir?
Alguém correr, quando avistar você? (Não?!)
Cê não faz ideia
Não faz ideia...

 

Emicida. Cê lá faz ideia.

 

Tendo como referência o fragmento da canção Cê lá faz ideia, de Emicida, e os aspectos sociais a ela relacionados, julgue o item a seguir.

 

A dominação pelos grupos sociais dominantes, além de ocorrer em termos econômicos, ocorre também em termos simbólicos, pois conseguem criar hierarquias de valor com relação, por exemplo, à raça e ao gênero de uma pessoa.

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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A afirmação é certa porque o trecho de Cê lá faz ideia expõe práticas diárias de estigmatização (pessoas escondendo bolsas, olhar desconfiado, corridas de táxi) que não são só econômicas, mas sobre sentidos atribuídos aos corpos.

Esse processo é a dominação em nível simbólico: grupos privilegiados definem normas, rotulam e hierarquizam diferenças, produzindo hierarquias de valor relacionadas à raça e ao gênero. É a chamada violência simbólica, que naturaliza desigualdades.

Ao operar nos imaginários e nas interações cotidianas, essa dominação legitima exclusões e amplia o impacto das desigualdades econômicas, justificando tratamento diferenciado mesmo sem leis explícitas.

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