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Questão FC291995

Como se sabe, os dispositivos elaborados para tratar da violência articulam diferenças de raça, de classe e de gênero e, assim, facilitam, naturalizando, as acusações que designam

Gênero e Sexualidade

CEBRASPE (CESPE) · 2022

Como se sabe, os dispositivos elaborados para tratar da violência articulam diferenças de raça, de classe e de gênero e, assim, facilitam, naturalizando, as acusações que designam os homens negros como propícios ao crime e às incivilidades, em contraste com as mulheres, posicionadas, nesse jogo relacional, como aquelas que melhor corporificam os valores morais. [...] É como se houvesse um consenso difuso e amplamente partilhado sobre a superioridade moral das mulheres em relação à violência e ao crime, que abrange tanto pontos de vista religiosos como seculares; e, de certa forma, o que relatamos aponta para os homens como o alvo dos trabalhos pastorais e para as mulheres como aquelas que teriam uma pouco questionada e (muito acionada) aderência aos valores morais seculares e cristãos.


Patrícia Birman. Narrativas seculares e religiosas sobre a violência: as fronteiras do humano no governo dos pobres. In: Sociologia e Antropologia. 9(1), jan.-abr./2019, p. 122 (com adaptações).

 

A partir do texto precedente, julgue o próximo item.

 

O fato de se atribuir um lugar de maior civilidade às mulheres contribui para que elas se tornem, frequentemente, alvos de outros tipos de violência.

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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A afirmação é errada porque confunde a ideia de atribuir um lugar de maior civilidade com um fator que aumentaria a exposição à violência. Na sociologia, civilidade refere‑se a normas e comportamentos que favorecem a convivência e o respeito às leis; reconhecer um grupo como mais "civilizado" tende, em regra, a proteger seus direitos e reduzir sua criminalização.


O texto de Patrícia Birman aponta, na verdade, para narrativas de gênero que moralizam as mulheres e racializam/crimininalizam homens (especialmente negros), o que torna estes últimos alvos privilegiados de controle e violência. Essa idealização feminina pode gerar formas de controle moral ou exclusão simbólica, mas não se confunde com tornar as mulheres "frequentemente alvos de outros tipos de violência" como consequência direta da atribuição de civilidade.


Portanto, o enunciado erra ao estabelecer uma relação causal direta: a ausência de civilidade ou a criminalização estereotipada é que aumenta a vulnerabilidade à violência, não a atribuição de maior civilidade às mulheres.

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