Questão FC292001
Como se sabe, os dispositivos elaborados para tratar da violência articulam diferenças de raça, de classe e de gênero e, assim, facilitam, naturalizando, as acusações que designam
Instituições Sociais
CEBRASPE (CESPE) · 2022
Como se sabe, os dispositivos elaborados para tratar da violência articulam diferenças de raça, de classe e de gênero e, assim, facilitam, naturalizando, as acusações que designam os homens negros como propícios ao crime e às incivilidades, em contraste com as mulheres, posicionadas, nesse jogo relacional, como aquelas que melhor corporificam os valores morais. [...] É como se houvesse um consenso difuso e amplamente partilhado sobre a superioridade moral das mulheres em relação à violência e ao crime, que abrange tanto pontos de vista religiosos como seculares; e, de certa forma, o que relatamos aponta para os homens como o alvo dos trabalhos pastorais e para as mulheres como aquelas que teriam uma pouco questionada e (muito acionada) aderência aos valores morais seculares e cristãos.
Patrícia Birman. Narrativas seculares e religiosas sobre a violência: as fronteiras do humano no governo dos pobres. In: Sociologia e Antropologia. 9(1), jan.-abr./2019, p. 122 (com adaptações).
A partir do texto precedente, julgue o próximo item.
As práticas de fé e de culto, tanto historicamente quanto no contexto atual, tendem a equivaler às contribuições de gênero.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A afirmação foi julgada ERRADA porque confunde correlação com identidade: as práticas de fé e de culto interagem com as construções de gênero, mas não se equivalem. O texto de Birman mostra que discursos religiosos e seculares articulam raça, classe e gênero para naturalizar determinadas acusações e atribuições morais, ou seja, religião atua como vetor que produz e reforça normas de gênero, não como sinônimo delas.
Isso significa que fé e culto são fatores que modelam representações e práticas de gênero — apontando homens como alvos de controle e mulheres como moralmente superiores — em contextos específicos. A relação é de mediação e disputa cultural, não de identidade absoluta.
Além disso, historicamente as práticas religiosas são variadas e ambíguas: podem tanto reforçar hierarquias quanto oferecer espaços de resistência. Por isso é incorreto afirmar que tendem a equivaler às contribuições de gênero.
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