Questão FC292044
No campo de estudo das desigualdades raciais, a ênfase ocorre tanto na sobrerrepresentação da população negra entre os pobres quanto na proporção de pobres dentro de cada grupo rac
Pobreza e Desenvolvimento
CEBRASPE (CESPE) · 2021
No campo de estudo das desigualdades raciais, a ênfase ocorre tanto na sobrerrepresentação da população negra entre os pobres quanto na proporção de pobres dentro de cada grupo racial. Há mais negros (pretos e pardos) entre os pobres, da mesma forma que há maior proporção de pobres no grupo negro do que no grupo branco. Outro aspecto que se destaca é a manutenção dessas diferenças a despeito das recentes e significativas mudanças nas situações de pobreza. Os dados da Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar (PNAD) mostram que, em 1999, entre os 10% mais pobres da população brasileira, 68% deles eram negros (pretos e pardos); em 2008, essa proporção era de 70,8%. Estudos recentes sobre pobreza têm dado ênfase à questão da sua heterogeneidade, apontando, sobretudo, para a importância de outras variáveis, além da renda, para mensurá-la. Nesse sentido, procuram diluir a dicotomia entre pobres e não pobres e chamar a atenção para as diferenças tanto de concentração (grau) quanto das características da pobreza.
Márcia Lima. “Raça” e pobreza em contextos metropolitanos.
In: Tempo Social, 24 (2), nov./2012, p. 236 (com adaptações).
Considerando o texto apresentado e o assunto nele tratado, julgue o item a seguir, acerca da relação entre “raça” e pobreza.
A noção de heterogeneidade da pobreza referida no texto indica que, diante das diferenças tão amplas da sociedade, nenhuma variável pode sobrepor-se a outra na compreensão das desigualdades.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A afirmativa foi julgada ERRADO porque interpreta mal o conceito de heterogeneidade da pobreza. Dizer que nenhuma variável pode sobrepor‑se a outra é exagero: a heterogeneidade quer apontar que a pobreza tem múltiplas dimensões (renda, acesso a serviços, território, trabalho, etc.) e que há diferentes perfis de vulnerabilidade, não eliminar a importância de fatores estruturantes.
Pesquisas empíricas mostram que a raça (preto/pardo) continua sendo um eixo central de desigualdade no Brasil — por exemplo, maior concentração entre os pobres e maior proporção de pobres no grupo negro — logo, reconhecer a heterogeneidade não impede tratar a raça como variável explicativa privilegiada quando os dados a indicam.
Em resumo: heterogeneidade amplia o olhar; não anula nem iguala a relevância de determinantes que se mostram persistentes, como a renda e a raça.
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