Questão FC376261
Há três tipos de orientação ética: a da finalidade, a do princípio e a da consequência. As seguintes afirmações de discursos da administração pública – (1) “devemos perseguir nosso
Ética (Aspectos Teóricos)
VUNESP · 2018
Há três tipos de orientação ética: a da finalidade, a do princípio e a da consequência. As seguintes afirmações de discursos da administração pública – (1) “devemos perseguir nosso propósito, a não ser que isto trate as pessoas somente como meio, ou que decorram mais males do que bem”, e (2) “devemos fazer o que causa mais bem e menos mal a todos, a não ser que isto trate algumas pessoas como um meio e a praticar atos que não possam ser universalizados, ou a menos que isto destrua nosso potencial para sermos o que devemos nos tornar” – relacionam-se, respectivamente, às seguintes orientações éticas:
- A (1) privilegia uma ética de finalidade, considerando as demais orientações com mesma relevância. A (2) privilegia uma ética de consequência, sem perder de vista as demais orientações em sua importância.
- A (1) valoriza uma ética de finalidade, e considera também a ética de princípio em sua formulação. A (2) privilegia uma ética de princípio, focando, também, a ética de finalidade que se sobrepõe à de consequência.
- A (1) difunde preceitos da ética de princípio, que se sobrepõe aos demais tipos de orientação. A (2) privilegia também os preceitos da ética de princípio, e valoriza, em sequência, a ética de finalidade e de consequência.
- Ambas as afirmações, (1) e (2), indicam o privilégio da ética de princípio sobre as demais, embora leve em consideração as demais orientações como secundárias, em relação à importância que possuem para a gestão pública.
- A (1) difunde uma ética de princípio, sem perder de vista as demais orientações éticas. A (2) prioriza uma ética de finalidade, valorizando igualmente uma ética de princípio e de consequência.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A alternativa A está correta porque distingue qual orientação ética é privilegiada em cada enunciado, sem excluir as demais como limites necessários.
No enunciado (1) a expressão “devemos perseguir nosso propósito” aponta para a ética da finalidade (teleológica): o foco é o propósito do agente. As excepcões — “a não ser que trate as pessoas somente como meio” e “ou que decorram mais males do que bem” — funcionam como freios provenientes da ética do princípio (respeito à pessoa) e da ética da consequência (avaliação dos resultados).
No enunciado (2) o objetivo explícito de “fazer o que causa mais bem e menos mal” revela a primazia da ética da consequência (consequencialismo/utilitarismo). As ressalvas citadas (uso das pessoas como meio, atos não universalizáveis, destruição do nosso potencial) incorporam limites de caráter de princípio e de finalidade.
Assim, A mostra corretamente um enfoque prioritário combinado com controles éticos complementares.
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