Questão FC467919
Texto Por onde pude andar, no Brasil ou em outros cantos do mundo, prestei mais atenção nas águas do que nas edificações urbanas que se debruçam sobre elas — pois todos os nossos a
História do Brasil
CEBRASPE (CESPE) · 2023
Texto
Por onde pude andar, no Brasil ou em outros cantos do mundo, prestei mais atenção nas águas do que nas edificações urbanas que se debruçam sobre elas — pois todos os nossos assentamentos humanos, na Europa, na Ásia, na África, por todos os lados, sempre foram atraídos pelos rios. Nas salas de aula, as crianças escutam que uma das civilizações mais antigas do mundo nasceu no delta do rio Nilo, no Egito, cujas águas irrigavam suas margens, propiciando condições para a agricultura e para sua civilização. Sempre estivemos perto da água, mas parece que aprendemos muito pouco com a fala dos rios. As cidades, principalmente as grandes, foram se espalhando por cima dos corpos dos rios a ponto de não termos quase mais nenhum respeito por eles. O corpo da Terra não aguenta mais cidades, pelo menos não essas que se configuram como uma continuidade das pólis do mundo antigo, com gente protegida por muros, e o resto do lado de fora — indígenas, quilombolas, ribeirinhos. Além disso, as metrópoles são um sorvedouro de energia. Ainda há quem tenha a pachorra de dizer que o Brasil é vanguarda na produção de energia limpa. Eu não sei que história é essa, se você botar um filtro de sangue nas hidrelétricas de Tucuruí, Balbina, Belo Monte, Santo Antônio e Jirau, ele entope.
Ailton Krenak. Futuro ancestral. Companhia das Letras, 2022 (com adaptações).
Considerando as ideias do texto precedente e os diversos assuntos a ele relacionados, julgue o item.
As sociedades indígenas e os povos quilombolas estabeleceram, ao longo dos séculos, uma relação equilibrada com os ecossistemas, e suas técnicas de plantio, de construção e de convivência sustentáveis contribuíram para a preservação dos rios e do meio ambiente.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A afirmação é correta porque, historicamente, muitas sociedades indígenas e povos quilombolas desenvolveram práticas que mantêm um equilíbrio com os ecossistemas. Seus modos de manejo incluem agrofloresta, plantio consorciado, rotação de culturas, uso de períodos de pousio e regras comunitárias de proteção das margens dos rios.
Essas técnicas reduzem erosão, protegem nascentes e mantêm a qualidade da água, ao passo que normas sociais e cosmologias que reconhecem a sacralidade da água fomentam a conservação. Em contraste com expansões urbanas e grandes obras hidráulicas citadas no texto, as práticas tradicionais tendem a ser de baixo impacto e contribuíram para a preservação dos rios e da biodiversidade local.
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