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Questão FC467943

A Independência se explica por um conjunto de fatores, tanto internos como externos, mas foram os ventos trazidos de fora que imprimiram aos acontecimentos um rumo imprevisto pela

História do Brasil

CEBRASPE (CESPE) · 2021

A Independência se explica por um conjunto de fatores, tanto internos como externos, mas foram os ventos trazidos de fora que imprimiram aos acontecimentos um rumo imprevisto pela maioria dos atores envolvidos, em uma escalada que passou da defesa da autonomia brasileira à ideia de independência. Em agosto de 1820, irrompeu em Portugal uma revolução liberal inspirada nas ideias ilustradas. Os revolucionários procuravam enfrentar um momento de profunda crise na vida portuguesa. Crise política, causada pela ausência do rei e dos órgãos de governo; crise econômica, resultante em parte da liberdade de comércio de que se beneficiava o Brasil; crise militar, consequência da presença de oficiais ingleses nos altos postos do exército e da preterição de oficiais portugueses nas promoções. Basta lembrar que, na ausência de Dom João, Portugal foi governado por um conselho de regência presidido pelo marechal inglês Beresford. Depois da guerra, Beresford se tornou o comandante do Exército português. A revolução portuguesa de 1820 tinha aspectos contraditórios para os brasileiros. Podia ser definida como liberal, por considerar a monarquia absoluta um regime ultrapassado e opressivo e por tratar de dar vida a órgãos de representação da sociedade, como é o caso das Cortes.

 

Boris Fausto. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 1996. Pág. 81.

 

A Independência do Brasil ocorreu em um contexto histórico com diversos eventos. A esse respeito e considerando o fragmento de texto precedente, julgue o item seguinte.

 

A revolução liberal ocorrida em Portugal chegou ao Brasil por meio dos eventos de insurreição de diversos grupos de elites regionais.

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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A afirmação é errada porque a Revolução do Porto de 1820 não se propagou ao Brasil na forma de insurreições armadas das elites regionais.

Seu efeito imediato foi sobretudo político-institucional e diplomático: as Cortes portuguesas exigiram a volta do rei e a subordinação das autoridades brasileiras, gerando reações formais das elites locais (protestos, assembleias provinciais, pedidos de representante nas Cortes), e não uma onda de levantes.

Essas manobras políticas e a crise institucional em Lisboa pressionaram o processo que levaria à Independência, mas a ruptura definitiva ocorreu por escolhas políticas internas, negociações e decisões do príncipe-regente, não por insurreições armadas generalizadas das elites regionais.

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