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Questão FC467992

Nos cubículos de negros, jamais vi uma flor: é que lá não existem nem esperanças, nem recordações. Charles Ribeyrolles. Brazil pitoresco: história-descrições-viagens-instituições-c

História do Brasil

CEBRASPE (CESPE) · 2020

Nos cubículos de negros, jamais vi uma flor: é que lá não existem nem esperanças, nem recordações.


Charles Ribeyrolles. Brazil pitoresco: história-descrições-viagens-instituições-colonização
(1859). In: Robert Slenes. Na senzala, uma flor: esperanças e recordações na
formação da família escrava. 2.ª ed. Campinas: UNICAMP, 2012.


Ao recorrer à metáfora “flor” para falar sobre a família escravizada, o autor da frase expõe uma visão preconceituosa dos viajantes europeus no Brasil do século XIX sobre os escravizados, desprezando suas diferentes construções sociais. Acerca desse assunto, julgue o próximo item.


Para os escravizados, a família também se constituiu num espaço de rememoração e preservação da cultura africana.

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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A afirmação foi julgada certa porque historicamente a família escravizada funcionou como núcleo de transmissão de práticas, crenças e lembranças africanas, contrapondo-se à visão depreciativa de viajantes europeus do século XIX.


Em laços de sangue e de afeto, transmitiam-se línguas, cantos, culinária, rituais religiosos e histórias orais. Instituições informais como compadrio, redes de vizinhança e quilombos reforçavam a memória coletiva e asseguravam cuidados materiais e simbólicos entre gerações.


Assim, a família foi também espaço de preservação cultural e de resistência identitária, fundamental para a formação das comunidades afro-brasileiras e para a continuidade de suas tradições.

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