Questão FC474917
Texto Quando comecei a me interessar pela Idade Média, era ela uma época definida como um período intermediário entre a Antiguidade e os Tempos Modernos. Dava-se como seu início a
História Geral
CEBRASPE (CESPE) · 2022
Texto
Quando comecei a me interessar pela Idade Média, era ela uma época definida como um período intermediário entre a Antiguidade e os Tempos Modernos. Dava-se como seu início a queda institucional do Império Romano do Ocidente, em 476, e como seu fim, a tomada de Constantinopla pelos turcos em 1453, ou a descoberta (inconsciente) da América por Colombo em 1492.
Até o fim do século XVIII, a imagem dominante da Idade Média, elaborada e imposta pelos humanistas e depois pelos filósofos das luzes, era a de uma idade bárbara e obscurantista, dominada pelos senhores incultos e predadores e por uma Igreja opressiva e que desprezava o verdadeiro saber.
Resisti à imagem cinzenta e cansativa de uma Idade Média dominada por uma concepção essencialmente jurídica do regime feudal e por camponeses. Acredito numa longa Idade Média, porque não vejo a ruptura do Renascimento. É preciso esperar o fim do século XVIII para que a ruptura se produza: a Revolução Industrial na Inglaterra e, depois, a Revolução Francesa, nos domínios político, social e mental, trancam com chave o fim do período medieval.
Jacques Le Goff. Uma longa Idade Média. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008, p. 12-14 (com adaptações).
Tendo como referência inicial o fragmento de texto precedente, bem como acerca de aspectos marcantes da trajetória histórica ocidental, julgue o item.
Uma espécie de simbiose entre instituições romanas e germânicas formatou o feudalismo, uma forma de organização social, política e econômica de parte da Europa medieval, essencialmente marcada pelo domínio de uma aristocracia fundiária e guerreira, pela agricultura de subsistência e pelo trabalho servil.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A afirmação é certa porque o feudalismo resultou da combinação de elementos romanos e germânicos que se ajustaram no período pós‑imperial.
Do mundo romano veio o uso da terra como base econômica, o colonato e a tradição das grandes villas que vinculavam colônios ao solo, além de práticas jurídicas e fiscais herdadas do direito romano.
Dos povos germânicos emergiram o comitatus, os vínculos pessoais de lealdade e o beneficium, que deram origem à vassalagem e à hierarquia guerreira dominada por uma aristocracia fundiária.
Da síntese nasceu um sistema marcado pela agricultura de subsistência, pelo predomínio do senhorio territorial e por formas de trabalho dependente, a servidão, em que camponeses estavam presos à terra, sem liberdade plena de movimento, enquanto o comércio era relativamente restrito.
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