Questão FC474960
Texto Por onde pude andar, no Brasil ou em outros cantos do mundo, prestei mais atenção nas águas do que nas edificações urbanas que se debruçam sobre elas — pois todos os nossos a
História Geral
CEBRASPE (CESPE) · 2023
Texto
Por onde pude andar, no Brasil ou em outros cantos do mundo, prestei mais atenção nas águas do que nas edificações urbanas que se debruçam sobre elas — pois todos os nossos assentamentos humanos, na Europa, na Ásia, na África, por todos os lados, sempre foram atraídos pelos rios. Nas salas de aula, as crianças escutam que uma das civilizações mais antigas do mundo nasceu no delta do rio Nilo, no Egito, cujas águas irrigavam suas margens, propiciando condições para a agricultura e para sua civilização. Sempre estivemos perto da água, mas parece que aprendemos muito pouco com a fala dos rios. As cidades, principalmente as grandes, foram se espalhando por cima dos corpos dos rios a ponto de não termos quase mais nenhum respeito por eles. O corpo da Terra não aguenta mais cidades, pelo menos não essas que se configuram como uma continuidade das pólis do mundo antigo, com gente protegida por muros, e o resto do lado de fora — indígenas, quilombolas, ribeirinhos. Além disso, as metrópoles são um sorvedouro de energia. Ainda há quem tenha a pachorra de dizer que o Brasil é vanguarda na produção de energia limpa. Eu não sei que história é essa, se você botar um filtro de sangue nas hidrelétricas de Tucuruí, Balbina, Belo Monte, Santo Antônio e Jirau, ele entope.
Ailton Krenak. Futuro ancestral. Companhia das Letras, 2022 (com adaptações).
Considerando as ideias do texto precedente e os diversos assuntos a ele relacionados, julgue o item.
Infere-se do texto que o desenvolvimento tecnológico do Ocidente influenciou a adoção de um estilo de vida mais adaptado à natureza e a seus recursos naturais, o que garantiu o domínio da sociedade ocidental sobre os povos não ocidentais.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
O item foi julgado ERRADO porque o texto transmite a ideia contrária à afirmada. Em vez de mostrar que o Ocidente se tornou mais adaptado à natureza, o autor critica o afastamento da natureza promovido pelo modelo urbano-tecnológico: afirma que “aprendemos pouco com a fala dos rios”, que as cidades se estenderam sobre seus cursos d’água e que as metrópoles funcionam como um desrespeito aos rios e um sorvedouro de energia.
Além disso, o texto não apresenta a tese de que esse suposto progresso tecnológico assegurou o domínio sobre outros povos. Ao contrário, denuncia a marginalização de indígenas, quilombolas e ribeirinhos e questiona a narrativa de “energia limpa” das grandes hidrelétricas, evidenciando impactos socioambientais. Por isso a inferência proposta não corresponde às ideias do texto.
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