Questão FC475040
Texto Por onde pude andar, no Brasil ou em outros cantos do mundo, prestei mais atenção nas águas do que nas edificações urbanas que se debruçam sobre elas — pois todos os nossos a
História Geral
CEBRASPE (CESPE) · 2023
Texto
Por onde pude andar, no Brasil ou em outros cantos do mundo, prestei mais atenção nas águas do que nas edificações urbanas que se debruçam sobre elas — pois todos os nossos assentamentos humanos, na Europa, na Ásia, na África, por todos os lados, sempre foram atraídos pelos rios. Nas salas de aula, as crianças escutam que uma das civilizações mais antigas do mundo nasceu no delta do rio Nilo, no Egito, cujas águas irrigavam suas margens, propiciando condições para a agricultura e para sua civilização. Sempre estivemos perto da água, mas parece que aprendemos muito pouco com a fala dos rios. As cidades, principalmente as grandes, foram se espalhando por cima dos corpos dos rios a ponto de não termos quase mais nenhum respeito por eles. O corpo da Terra não aguenta mais cidades, pelo menos não essas que se configuram como uma continuidade das pólis do mundo antigo, com gente protegida por muros, e o resto do lado de fora — indígenas, quilombolas, ribeirinhos. Além disso, as metrópoles são um sorvedouro de energia. Ainda há quem tenha a pachorra de dizer que o Brasil é vanguarda na produção de energia limpa. Eu não sei que história é essa, se você botar um filtro de sangue nas hidrelétricas de Tucuruí, Balbina, Belo Monte, Santo Antônio e Jirau, ele entope.
Ailton Krenak. Futuro ancestral. Companhia das Letras, 2022 (com adaptações).
Considerando as ideias do texto precedente e os diversos assuntos a ele relacionados, julgue o item.
O planejamento urbano do século XIX, embasado em princípios higienistas, incorporou intervenções como a canalização de rios, priorizando a funcionalidade ecológica e os fluxos naturais como elementos essenciais no planejamento urbano.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Item errado. O higienismo do século XIX não buscava preservar os cursos d’água; promoveu a retificação, canalização e enterramento de rios com fins de drenagem, combate a miasmas, saneamento público e fluidez viária.
Essas intervenções visavam controlar e suprimir dinâmicas naturais, não priorizar a funcionalidade ecológica ou os fluxos naturais. Canalizar significou uniformizar leitos, aumentar velocidade das águas e desconectar ecossistemas aquáticos das planícies de inundação.
Só a partir do século XX, e com mais força nas últimas décadas, surgiram abordagens de urbanismo ecológico, parques lineares e infraestrutura verde-azul que procuram reintegrar bacias hidrográficas ao planejamento urbano.
Portanto, a afirmação está incorreta porque atribui ao higienismo um cuidado ecológico que ele não teve.
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