Questão FC475083
Nos cubículos de negros, jamais vi uma flor: é que lá não existem nem esperanças, nem recordações. Charles Ribeyrolles. Brazil pitoresco: história-descrições-viagens-instituições-c
História Geral
CEBRASPE (CESPE) · 2020
Nos cubículos de negros, jamais vi uma flor: é que lá não existem nem esperanças, nem recordações.
Charles Ribeyrolles. Brazil pitoresco: história-descrições-viagens-instituições-colonização
(1859). In: Robert Slenes. Na senzala, uma flor: esperanças e recordações na
formação da família escrava. 2.ª ed. Campinas: UNICAMP, 2012.
Ao recorrer à metáfora “flor” para falar sobre a família escravizada, o autor da frase expõe uma visão preconceituosa dos viajantes europeus no Brasil do século XIX sobre os escravizados, desprezando suas diferentes construções sociais. Acerca desse assunto, julgue o próximo item.
Apesar da violência da escravidão nas Américas, os escravizados africanos resistiram, articulando tradições culturais e estratégias identitárias adaptadas.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A afirmação é correta porque, embora a escravidão tenha imposto violência e tentativa de desumanização, os africanos escravizados mantiveram agência e criaram formas de resistência e reprodução social.
Nas práticas cotidianas, religiosos e linguísticas houve sincretismo e adaptações que preservaram saberes e memórias; exemplos incluem religiões afro-brasileiras, crioulização linguística e redes de parentesco reconstituídas.
Também se organizaram em formas coletivas de luta, como quilombos, fugas, revoltas e resistência cultural silenciosa (trabalho de resistência, celebrações, transmissão oral), evidenciando estratégias identitárias.
Portanto, a metáfora do viajante europeu que nega esperanças e recordações é falsa diante das fontes que mostram contínua resistência e produção de identidade pelos escravizados.
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