Questão FC475176
Texto Por onde pude andar, no Brasil ou em outros cantos do mundo, prestei mais atenção nas águas do que nas edificações urbanas que se debruçam sobre elas — pois todos os nossos a
Outros Temas de História
CEBRASPE (CESPE) · 2023
Texto
Por onde pude andar, no Brasil ou em outros cantos do mundo, prestei mais atenção nas águas do que nas edificações urbanas que se debruçam sobre elas — pois todos os nossos assentamentos humanos, na Europa, na Ásia, na África, por todos os lados, sempre foram atraídos pelos rios. Nas salas de aula, as crianças escutam que uma das civilizações mais antigas do mundo nasceu no delta do rio Nilo, no Egito, cujas águas irrigavam suas margens, propiciando condições para a agricultura e para sua civilização. Sempre estivemos perto da água, mas parece que aprendemos muito pouco com a fala dos rios. As cidades, principalmente as grandes, foram se espalhando por cima dos corpos dos rios a ponto de não termos quase mais nenhum respeito por eles. O corpo da Terra não aguenta mais cidades, pelo menos não essas que se configuram como uma continuidade das pólis do mundo antigo, com gente protegida por muros, e o resto do lado de fora — indígenas, quilombolas, ribeirinhos. Além disso, as metrópoles são um sorvedouro de energia. Ainda há quem tenha a pachorra de dizer que o Brasil é vanguarda na produção de energia limpa. Eu não sei que história é essa, se você botar um filtro de sangue nas hidrelétricas de Tucuruí, Balbina, Belo Monte, Santo Antônio e Jirau, ele entope.
Ailton Krenak. Futuro ancestral. Companhia das Letras, 2022 (com adaptações).
Considerando as ideias do texto precedente e os diversos assuntos a ele relacionados, julgue o item.
A separação entre natureza e cultura, que se caracterizou como uma marca do pensamento moderno ocidental, é considerada pelo autor do texto como nociva não apenas para a natureza, mas para a própria humanidade.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A afirmação foi julgada CERTO porque o autor problematiza a cisão entre natureza e cultura típica do pensamento moderno ocidental e mostra suas consequências sociais e ambientais.
No texto, a cidade se expande sobre os rios, indicando que tratar a Terra como exterior à vida social leva à destruição de ecossistemas. Essa visão não atinge só a natureza, mas também grupos humanos, já que indígenas, quilombolas e ribeirinhos ficam colocados "do lado de fora".
Além disso, ao chamar as metrópoles de "sorvedouro de energia" e criticar grandes hidrelétricas, o autor aponta impactos socioambientais que contradizem a ideia de tecnologia neutra. Assim, destruir a Terra equivale a degradar a própria humanidade.
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