Questão FC514197
Um paciente de 66 anos de idade, com antecedente de HAS havia 12 anos, compareceu ao ambulatório com queixa de dispneia. Havia três anos, iniciou um quadro de dispneia progressiva,
Cardiologia
CEBRASPE (CESPE) · 2025
Um paciente de 66 anos de idade, com antecedente de HAS havia 12 anos, compareceu ao ambulatório com queixa de dispneia. Havia três anos, iniciou um quadro de dispneia progressiva, inicialmente aos esforços maiores que os habituais, que, na semana anterior à consulta ambulatorial, evoluiu para dispneia aos pequenos esforços. Relatou uso regular de enalapril, espironolactona e carvedilol nas doses máximas preconizadas. Ao exame físico, apresentava-se com extremidades quentes, normocorado, com frequência cardíaca de 124 bpm, pressão arterial de 118 mmHg × 78 mmHg, turgência jugular a 45º, saturação de O2 (em ar ambiente) de 92%, estertores crepitantes em bases pulmonares bilateralmente e ritmo cardíaco regular em três tempos (terceira bulha) sem sopros. Adicionalmente, notou-se edema de tornozelos bilateralmente. Os exames laboratoriais de rotina não revelaram anormalidades significativas. O ecocardiograma, realizado havia dois meses, revelou fração de ejeção de 36%.
Com base no caso hipotético precedente, julgue o item seguinte, conforme a Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda.
No caso em questão, indica-se a dobutamina por sua ação inotrópica positiva e pela redução da pós-carga.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
O item está ERRADO porque a indicação de dobutamina baseia‑se na presença de hipotensão e/ou sinais claros de baixo débito com hipoperfusão.
No caso descrito o paciente apresenta extremidades quentes, normocorado e pressão arterial de 118/78 mmHg, sinais compatíveis com o fenótipo quente e úmido (congestão sem hipoperfusão). Esses achados indicam preservação da perfusão sistêmica.
O uso de dobutamina em pacientes sem baixa perfusão não traz benefício e pode aumentar arritmias e morbimortalidade. Além disso, a resposta pode estar atenuada pelo uso crônico de betabloqueador (carvedilol).
Portanto, a dobutamina não é indicada neste cenário; o tratamento deve visar controle da congestão e otimização da terapia guia conforme diretriz.
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