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Questão FC514349

Deus sabe quantas vezes vou deitar-me com o desejo, com a esperança, de não mais despertar. E pela manhã, quando abro os olhos e revejo a luz do sol, sinto-me infeliz. Oh! Se eu fo

Psiquiatria

CEBRASPE (CESPE) · 2025

Deus sabe quantas vezes vou deitar-me com o desejo, com a esperança, de não mais despertar. E pela manhã, quando abro os olhos e revejo a luz do sol, sinto-me infeliz. Oh! Se eu fosse leviano, poderia culpar o tempo, uma outra pessoa, um empreendimento fracassado e, assim, o insuportável fardo do descontentamento não me pesaria tanto. Pobre de mim! Percebo muito bem que a culpa é toda minha: não a culpa, não! A verdadeira fonte de toda a minha desgraça está oculta no meu peito, a mesma fonte que outrora produzia toda a minha felicidade. Será que já não sou mais o mesmo que antes flutuava na plenitude dos sentimentos; que encontrava um paraíso em cada passo; que possuía um coração capaz de abraçar com seu amor o mundo inteiro? Mas, agora, esse coração está morto; dele já não brota nenhum entusiasmo; meus olhos estão secos e, como meus sentidos, já não têm o alívio das lágrimas refrescantes, tenho a face contraída pela angústia.

 

Johann Wolfgang Goethe. Os sofrimentos do jovem Werther. São Paulo: Martins Claret, 2014 (com adaptações).

 

Tendo o excerto literário precedente como referência inicial, julgue o item seguinte, relativos a suicídio.

 

Não há evidências científicas suficientes provenientes de pesquisas qualitativas que justifiquem a afirmativa de que discriminação por raça interfere na suicidabilidade.

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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Errado. A afirmação nega a existência de evidência robusta vinda de pesquisas qualitativas, mas a literatura mostra o contrário.

Estudos qualitativos descrevem como a vivência do racismo e da discriminação racial gera sofrimento psicológico crônico, sentimento de desvalorização, estresse e desesperança, fatores diretamente relacionados à ideação e comportamento suicida.

Há também evidências quantitativas e revisões que confirmam essa associação, apontando mecanismos psicossociais e estruturais, como racismo institucional, exclusão social e barreiras ao acesso a cuidados de saúde mental.

Organizações como OMS e o Ministério da Saúde reconhecem o racismo como determinante social da saúde mental e fator de vulnerabilidade ao suicídio, especialmente entre jovens negros e povos indígenas.

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