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Questão FC514351

Deus sabe quantas vezes vou deitar-me com o desejo, com a esperança, de não mais despertar. E pela manhã, quando abro os olhos e revejo a luz do sol, sinto-me infeliz. Oh! Se eu fo

Psiquiatria

CEBRASPE (CESPE) · 2025

Deus sabe quantas vezes vou deitar-me com o desejo, com a esperança, de não mais despertar. E pela manhã, quando abro os olhos e revejo a luz do sol, sinto-me infeliz. Oh! Se eu fosse leviano, poderia culpar o tempo, uma outra pessoa, um empreendimento fracassado e, assim, o insuportável fardo do descontentamento não me pesaria tanto. Pobre de mim! Percebo muito bem que a culpa é toda minha: não a culpa, não! A verdadeira fonte de toda a minha desgraça está oculta no meu peito, a mesma fonte que outrora produzia toda a minha felicidade. Será que já não sou mais o mesmo que antes flutuava na plenitude dos sentimentos; que encontrava um paraíso em cada passo; que possuía um coração capaz de abraçar com seu amor o mundo inteiro? Mas, agora, esse coração está morto; dele já não brota nenhum entusiasmo; meus olhos estão secos e, como meus sentidos, já não têm o alívio das lágrimas refrescantes, tenho a face contraída pela angústia.

 

Johann Wolfgang Goethe. Os sofrimentos do jovem Werther. São Paulo: Martins Claret, 2014 (com adaptações).

 

Tendo o excerto literário precedente como referência inicial, julgue o item seguinte, relativos a suicídio.

 

A expressão “efeito Werther”, cunhada pelo sociólogo americano David Phillips, refere-se ao fenômeno de aumento expressivo de comportamentos suicidas na sociedade após a ampla divulgação midiática de uma história de suicídio impactante.

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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A afirmação é CERTO porque o termo Efeito Werther foi cunhado pelo sociólogo americano David Phillips em 1974 para descrever o aumento de suicídios observado após ampla divulgação de casos ou representações de suicídio.

O nome remete ao romance Os sofrimentos do jovem Werther, cuja publicação no século XVIII foi seguida por uma onda de suicídios imitativos. O fenômeno decorre de contágio suicida ou imitação, especialmente quando há romantização, sensacionalismo ou detalhamento do método.

Para saúde pública, isso implica cuidados na cobertura midiática: evitar glamourizar o ato, não divulgar métodos e sempre fornecer informações sobre ajuda e prevenção. Essas evidências sustentam o julgamento como certo.

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