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Questão FC543854

Considere o texto a seguir: Segundo Solimar Oliveira Lima, uma criança escrava no Piauí era avaliada em cinquenta e oito mil e quinhentos réis, para libertá-la era preciso o equiva

História do Brasil

FCC · 2025

Considere o texto a seguir:

 

Segundo Solimar Oliveira Lima, uma criança escrava no Piauí era avaliada em cinquenta e oito mil e quinhentos réis, para libertá-la era preciso o equivalente a doze bois ou cinco cavalos. As alforrias eram compradas pelo valor da avaliação do escravo, quanto mais valioso ele era mais cara sua alforria, lembrando que muitos trabalhadores não foram alforriados pelo valor da avaliação [...].

(Adaptado de: SOUSA, Talyta Marjorie Lira. Vozes negras: O processo abolicionista na cidade de Teresina. Contraponto — Revista do Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação em História do Brasil da UFPI. Teresina, v. 10, n. 1, jan./jun. 2021, p. 595)

 

Os dados acima devem ser compreendidos historicamente

  1. após 1889, quando a Lei Áurea foi decretada, mas as crianças só puderam ser libertadas mediante o pagamento de indenizações a seus patrões, correspondentes ao preço da alforria, no Piauí.
  2. face à dificuldade da compra de alforrias, ainda que essa possibilidade existisse e houvesse, no Piauí, desde meados do século XIX, sociedades libertadoras dedicadas a esse propósito.
  3. um século antes das leis abolicionistas, quando foi instituído o direito à alforria de forma exclusiva às crianças em situação de escravidão, no Piauí.
  4. como uma realidade que acompanhou o período de escravidão, no Piauí, durante o qual as crianças eram comercializadas como “bens” de preço mais elevado que qualquer escravo de outra faixa etária.
  5. no contexto da aprovação da lei do Ventre Livre, a partir da qual todas as crianças com menos de sete anos puderam ter direito à alforria.
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Gabarito

B

Comentário do professor

O enunciado mostra que a alforria podia ser comprada, mas o preço seguia o valor de avaliação do escravizado, o que tornava a libertação difícil e onerosa.

Historicamente, essa lógica explica por que muitos cativos permaneceram em condição servil apesar da existência formal da compra da liberdade: pouquíssimos tinham recursos próprios suficientes.

Nesse cenário surgiram formas coletivas de ação. No Piauí, desde meados do século XIX havia sociedades libertadoras e iniciativas de pecúlio que buscavam angariar fundos para pagar alforrias.

Essas associações funcionavam como mecanismo complementário à tentativa individual de compra, ampliando as possibilidades reais de libertação para alguns escravizados.

Portanto, a alternativa aponta corretamente tanto a dificuldade econômica quanto a existência de organizações que atuaram para contornar essa barreira.

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