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Questão FC580537

A população indígena do estado do Tocantins que sobreviveu à colonização compreende diversos povos, cujos territórios encontram-se também em distintas fases de demarcação. Acerca d

História do Brasil

FCC · 2025

A população indígena do estado do Tocantins que sobreviveu à colonização compreende diversos povos, cujos territórios encontram-se também em distintas fases de demarcação. Acerca disso, o povo

  1. Karajá do Norte conseguiu manter-se isolado e em posse de seu território original, de maneira que, em comparação com outros povos indígenas presentes no Tocantins, a demarcação de suas terras, ocorrida na primeira década dos anos 2000, não enfrentou entraves burocráticos por parte do governo.
  2. Apinajé teve suas terras demarcadas nos anos de 1990, em virtude de seu apoio à construção da Transamazônica, iniciada nos anos de 1970, e da BR-153, sob protestos de outros povos que não participaram da negociação, como os Xerente e os Krahô.
  3. Avá-Canoeiro do Araguaia, objeto de uma das mais graves violações do Estado durante a ditadura militar, recuperou recentemente parte de seu território em vias de demarcação, por decisão do TRF1 contra a Justiça Federal de Gurupi, que o havia reduzido em cerca de 30%.
  4. Akwe-Xerente, dada a presença religiosa, Iniciada com a chegada no século XX, de missionários batistas, e sua estreita relação com posseiros e fazendeiros, enfrentou entraves ainda maiores à demarcação de terras.
  5. Krahô-Kanela, a despeito de invasões e tentativas de expulsão, conseguiu permanecer em seu antigo território, razão pela qual não se veria prejudicado pelo marco temporal quanto à manutenção de suas terras, conhecidas sob o nome de Mata Alagada.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Avá-Canoeiro é povo do tronco tupi que sofreu graves violações durante a ditadura militar, incluindo violência e desaparecimento forçado de membros. Essas ocorrências reduziram drasticamente sua capacidade de permanência em áreas tradicionais.

O processo de demarcação busca reconhecer e proteger terras tradicionalmente ocupadas. No caso dos Avá-Canoeiro, a Justiça Federal de Gurupi havia diminuído a extensão reconhecida em cerca de 30%, afetando a integridade do território.

Houve recurso ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), que reformou a decisão e restituiu parte do território em vias de demarcação. A decisão mostra que a proteção fundiária indígena pode ser reavaliada no plano judicial quando a delimitação administrativa ou primeira decisão judicial não assegura os direitos territoriais.

Em termos práticos, a reversão contribui para a recomposição territorial e para a efetivação de direitos constitucionais dos Avá-Canoeiro, continuando o trâmite até a homologação final.

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