Questão FC888658
“Contra este medo e a impressão dolorosa de que deve ser, bem ou mal, assumida individualmente, os trabalhadores elaboram defesas específicas. Quando são muito eficazes, praticamen
Psicologia das Organizações e do Trabalho
CRS (PM MG) · 2023
“Contra este medo e a impressão dolorosa de que deve ser, bem ou mal, assumida individualmente, os trabalhadores elaboram defesas específicas. Quando são muito eficazes, praticamente não se encontra mais nenhum traço de medo no discurso do trabalhador. Assim, para estudá-la, é preciso procurar pelos sinais indiretos que são justamente estes sistemas defensivos.” (DEJOURS, 2018)
Considerando os mecanismos de defesa em relação ao medo no ambiente de trabalho, marque a alternativa INCORRETA:
- Esta atitude de desprezo pelo risco não pode ser tomada ao pé da letra, como acontece muitas vezes. O desprezo, a ignorância e a inconsciência com relação ao risco são apenas uma fachada.
- Este sistema defensivo funciona individualmente, por meio de uma estratégia defensiva simbólica. Através das contribuições individuais que o sistema se sustenta. Cada indivíduo nunca fala sobre o perigo, risco, acidente e nem do medo assim, eles se somam individualmente num coletivo desarticulado e expressivo.
- A consciência aguda do risco de acidente, mesmo sem maiores envolvimentos emocionais, obrigaria o trabalhador a tomar tantas precauções individuais que ele se tornaria ineficaz do ponto de vista da produtividade.
- Os trabalhadores as vezes acrescentam ao risco do trabalho o risco das performances pessoais e de verdadeiros concursos de habilidade e de bravura. Nestes testes rivalizam entre si, mas ao fazê-lo, tudo se passa se fossem eles que criassem cada risco, e não mais o perigo que se abate sobre todos.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Incorreta: a afirmação trata o sistema defensivo contra o medo como fenômeno estritamente individual. Para Dejours, esse sistema é essencialmente coletivo, sustentado por práticas e normas compartilhadas no grupo de trabalho.
As defesas contra o medo organizam-se por meio de silêncios combinados, rituais, códigos de conduta e linguagens comuns que transformam o perigo em algo administrável. Não é a soma de atitudes isoladas, mas uma trama social que produz a aparência de ausência de medo.
Esse mecanismo coletivo permite manter a produtividade e regular emoções, distribuindo riscos e responsabilidades de modo organizado e não aleatório.
Tratar o fenômeno como individual leva a culpar os trabalhadores e a ocultar falhas organizacionais na gestão do risco.
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