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Questão FC890363

Josy, uma mulher trans, sofre vários tipos de violência, que se intensificaram durante o seu processo transexualizador. Num certo episódio, sofreu uma agressão tão traumática que a

Psicologia Social

FGV · 2026

Josy, uma mulher trans, sofre vários tipos de violência, que se intensificaram durante o seu processo transexualizador. Num certo episódio, sofreu uma agressão tão traumática que a levou a querer destransicionar e ajuizar uma ação de redesignação de nome civil.

 

O fato de uma pessoa possuir uma identidade de gênero que não se encaixa nos padrões normativos a deixa em situação de vulnerabilidade social e de risco de vida, como acontece com a grande maioria da população trans no Brasil. Nesse contexto de discussão, são importantes as contribuições da teoria queer, especialmente de Judith Butler, conhecida pela perspectiva crítica que a consagrou no livro “Problemas de Gênero”.

 

De acordo com sua teoria, é correto afirmar que:

  1. o sexo, por ser pré-discursivo e natural, não deve ser abordado pela psicologia social, reservando-se a esta a questão do gênero;
  2. o gênero possui uma essencialidade que, no entanto, é reprimida pela sociedade quando afronta as normas sexuais;
  3. a repetição da performance de gênero tem por finalidade regular a sexualidade sob o marco da heteronormatividade;
  4. o sexo destina o gênero e o desejo, de tal modo que qualquer dissociação entre esses registros é causa de sofrimento psíquico;
  5. a definição de gênero depende da inscrição da lei paterna que interdita o incesto intergeracional.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Para Judith Butler, o gênero não é uma essência fixa, mas uma performatividade: um conjunto de atos e gestos repetidos que produzem a aparência de uma identidade estável.
Essas repetições não são neutras; funcionam como mecanismos de regulação social.

Ao ensaiar continuamente certos comportamentos, a sociedade sustenta normas que definem o que é “masculino” ou “feminino”, naturalizando-as.
Essa naturalização se ancora na heteronormatividade, que impõe a heterossexualidade como paradigma organizador das relações e das identidades.

Assim, a repetição performativa regula a sexualidade e pune desvios, tornando visível como o poder molda corpos e sujeições ao validar apenas performances alinhadas ao padrão hegemônico.

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