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Questão FC890934

Joana, uma psicóloga forense, foi designada para entrevistar Ana, uma criança de 9 anos, envolvida em um processo de disputa de guarda entre seus pais. No caso, o pai alega que a m

Psicologia Jurídica (inclui Mediação e Conciliação de Conflitos)

Vunesp 2 · 2025

Joana, uma psicóloga forense, foi designada para entrevistar Ana, uma criança de 9 anos, envolvida em um processo de disputa de guarda entre seus pais. No caso, o pai alega que a mãe influencia negativamente a filha contra ele, enquanto a mãe afirma que o pai tem comportamentos agressivos. Durante a entrevista, Joana percebe que Ana demonstra sinais de desconforto ao abordar questões familiares, mas, ao mesmo tempo, apresenta descrições espontâneas de situações vividas com os pais. Joana precisa conduzir a entrevista de forma ética, respeitando os direitos e o bem-estar de Ana, além de minimizar possíveis influências externas sobre as respostas da criança. Na visão de Cattani (mencionada em Hutz e colaboradores, 2020), uma prática ética e técnica adequada à situação seria

  1. seguir um roteiro de perguntas previamente estabelecido, para garantir que as informações coletadas estejam completas e sejam objetivas.
  2. evitar técnicas projetivas ou interações exploratórias, concentrando-se na obtenção de dados factuais que subsidiem as decisões a serem tomadas.
  3. explicar para Ana o motivo de ela estar ali, supondo que, pela idade, ela tem desenvolvimento cognitivo suficiente para entender a situação.
  4. apontar para Ana que ela deve dizer com qual dos pais ela prefere morar e os motivos para sua escolha, assegurando-lhe que sua opinião será decisiva para a definição do processo.
  5. explorar diretamente se Ana considera algum dos pais culpado pelos conflitos familiares, para obter informações claras e objetivas sobre a dinâmica entre os genitores.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Explicar a Ana o motivo de estar ali é conduta alinhada a Cattani porque crianças em fase escolar inicial têm capacidade cognitiva para compreender uma explicação simples e contextualizada. Comunicação clara reduz medo e confusão, permitindo que a criança participe de forma mais consciente.

Essa orientação tem dimensão ética: configura assentimento informado, respeita a autonomia infantil e protege o bem-estar da criança ao não colocá‑la em papel de decisora do conflito.

No plano técnico, situar a criança ajuda a estabelecer vínculo e segurança, o que favorece relatos espontâneos e diminui a influência de sugerimentos externos, contribuindo para a validade das informações. Reduzir a sugestionabilidade aumenta a qualidade da avaliação.

Na prática, o psicólogo deve usar linguagem acessível, adaptar explicações ao nível de Ana e garantir que ela saiba que sua opinião importa, ainda que a decisão final seja do juiz.

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