Questão FC890942
Na obra Adoção, vínculos e rupturas: do abrigo à família adotiva (2016), C. Peiter aborda o processo de elaboração do luto pela mãe morta por crianças institucionalizadas, tendo em
Psicologia Jurídica (inclui Mediação e Conciliação de Conflitos)
Vunesp 2 · 2025
Na obra Adoção, vínculos e rupturas: do abrigo à família adotiva (2016), C. Peiter aborda o processo de elaboração do luto pela mãe morta por crianças institucionalizadas, tendo em vista, particularmente, a construção de vínculos futuros. Sobre esse tema, a visão da autora é a de que
- a negação do luto pela mãe morta é uma estratégia comum em crianças institucionalizadas, a ser confrontada somente quando a criança dispuser de formas mais amadurecidas de enfrentamento das dores do passado.
- a elaboração do luto pela mãe morta requer que a criança seja apoiada a reviver e ressignificar a perda em um contexto terapêutico, de modo a promover um espaço interno para a construção de novos vínculos afetivos.
- o enfrentamento do luto pela mãe morta consiste em uma ruptura da criança com o seu passado para que ela possa se integrar em um novo ambiente familiar e formar novos vínculos afetivos.
- a superação do luto pela mãe morta é assegurada por novas experiências de amor e afeto da criança com seus cuidadores, sem necessidade de abordar diretamente sua história pregressa.
- o processo terapêutico realizado com crianças institucionalizadas em situação de luto deve conduzir à possibilidade de criação de novos vínculos, evitando o contato da criança com a dor associada a perdas e abandono.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Peiter defende que a elaboração do luto por crianças institucionalizadas exige acompanhamento que permita reviver e ressignificar a perda, não para reprimir a dor, mas para transformá‑la em narrativas e representações toleráveis.
Esse trabalho terapêutico cria um espaço interno onde lembranças, afetos e significados são integrados à história da criança. Ao simbolizar a perda por meio de brincadeiras, relatos e vínculos seguros, a criança dispõe emocionalmente de recursos para confiar e se conectar com futuros cuidadores.
Assim, a elaboração assistida da perda favorece a construção de novos vínculos afetivos sustentados pela aceitação e modulação do sofrimento, e não por seu apagamento.
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