Questão FC229462
Está, pois, suficientemente esclarecido que a virtude moral é um meio-termo entre dois vícios, um dos quais envolve excesso e o outro, deficiência, e isso porque a sua natureza é v
Ética (Aspectos Teóricos)
CEBRASPE (CESPE) · 2018
Está, pois, suficientemente esclarecido que a virtude moral é um meio-termo entre dois vícios, um dos quais envolve excesso e o outro, deficiência, e isso porque a sua natureza é visar à mediania nas paixões e nos atos.
Do que acabamos de dizer segue-se que não é fácil ser bom, pois em todas as coisas é difícil encontrar o meio-termo.
(...)
A justiça corretiva será o intermediário entre a perda e o ganho. Eis aí por que as pessoas em disputa recorrem ao juiz; e recorrer ao juiz é recorrer à justiça, pois a natureza do juiz é ser uma espécie de justiça animada; e procuram o juiz como um intermediário, e em alguns Estados os juízes são chamados mediadores, na convicção de que, se os litigantes conseguirem o meio-termo, conseguirão o que é justo. O justo, pois, é um meio-termo, já que o juiz o é. Ora, o juiz restabelece a igualdade.
Aristóteles. Ética a Nicômaco. In: Os pensadores. (Org.) José A. M.
Pessanha. 4.ª ed., v. 2, São Paulo: Nova Cultural, 1991 (com adaptações).
A partir das ideias constantes nesse fragmento de texto, julgue o item a seguir.
Constatar a dificuldade em ser bom é uma questão ética que constitui uma condição para que as pessoas recorram ao juiz, pois a natureza de seu trabalho é a bondade.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A afirmação é errada porque distorce a intenção do texto aristotélico: reconhecer que "não é fácil ser bom" não é apresentado como a condição que leva as pessoas ao juiz.
Aristóteles afirma que os litigantes recorrem ao juiz em busca de justiça, entendida como um meio‑termo entre perda e ganho (justiça corretiva), e não em busca de bondade. O autor qualifica o juiz como uma "espécie de justiça animada": sua função é restabelecer a igualdade, não exercer a bondade moral.
Portanto, a frase erra ao dizer que a natureza do trabalho do juiz é a bondade; o que motiva o recurso ao juiz é a busca pela justiça — o meio‑termo entre excessos — e não a constatação da dificuldade de ser bom.
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