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Questão FC229463

Está, pois, suficientemente esclarecido que a virtude moral é um meio-termo entre dois vícios, um dos quais envolve excesso e o outro, deficiência, e isso porque a sua natureza é v

Ética (Aspectos Teóricos)

CEBRASPE (CESPE) · 2018

Está, pois, suficientemente esclarecido que a virtude moral é um meio-termo entre dois vícios, um dos quais envolve excesso e o outro, deficiência, e isso porque a sua natureza é visar à mediania nas paixões e nos atos.

 

Do que acabamos de dizer segue-se que não é fácil ser bom, pois em todas as coisas é difícil encontrar o meio-termo.

 

(...)

 

A justiça corretiva será o intermediário entre a perda e o ganho. Eis aí por que as pessoas em disputa recorrem ao juiz; e recorrer ao juiz é recorrer à justiça, pois a natureza do juiz é ser uma espécie de justiça animada; e procuram o juiz como um intermediário, e em alguns Estados os juízes são chamados mediadores, na convicção de que, se os litigantes conseguirem o meio-termo, conseguirão o que é justo. O justo, pois, é um meio-termo, já que o juiz o é. Ora, o juiz restabelece a igualdade.

 

Aristóteles. Ética a Nicômaco. In: Os pensadores. (Org.) José A. M.

Pessanha. 4.ª ed., v. 2, São Paulo: Nova Cultural, 1991 (com adaptações).

 

A partir das ideias constantes nesse fragmento de texto, julgue o item a seguir.

 

 

Depreende-se do texto que a decisão do juiz, apesar de ética, não necessariamente representa o justo para os litigantes, pois um terá de perder e o outro, ganhar, para que a justiça corretiva aconteça.

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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A assertiva é errada porque interpreta mal a ética aristotélica. Para Aristóteles, a virtude e o justo são um meio‑termo entre dois vícios (excesso e falta); a justiça corretiva visa exatamente restabelecer esse equilíbrio.

O texto afirma que o juiz é um intermediário que restabelece a igualdade. Logo, a decisão judicial, quando correta, não é apenas um “ganhar/perder” arbitrário, mas a aplicação do meio‑termo que corrige uma desproporção.

Dizer que a decisão do juiz, embora ética, “não necessariamente representa o justo” contraria o próprio enunciado: o papel do juiz é determinar o que é justo, situando-se no meio‑termo entre perda e ganho. Assim, a assertiva falha ao separar ética e justiça nesse contexto.

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