Questão FC229464
Está, pois, suficientemente esclarecido que a virtude moral é um meio-termo entre dois vícios, um dos quais envolve excesso e o outro, deficiência, e isso porque a sua natureza é v
Ética (Aspectos Teóricos)
CEBRASPE (CESPE) · 2018
Está, pois, suficientemente esclarecido que a virtude moral é um meio-termo entre dois vícios, um dos quais envolve excesso e o outro, deficiência, e isso porque a sua natureza é visar à mediania nas paixões e nos atos.
Do que acabamos de dizer segue-se que não é fácil ser bom, pois em todas as coisas é difícil encontrar o meio-termo.
(...)
A justiça corretiva será o intermediário entre a perda e o ganho. Eis aí por que as pessoas em disputa recorrem ao juiz; e recorrer ao juiz é recorrer à justiça, pois a natureza do juiz é ser uma espécie de justiça animada; e procuram o juiz como um intermediário, e em alguns Estados os juízes são chamados mediadores, na convicção de que, se os litigantes conseguirem o meio-termo, conseguirão o que é justo. O justo, pois, é um meio-termo, já que o juiz o é. Ora, o juiz restabelece a igualdade.
Aristóteles. Ética a Nicômaco. In: Os pensadores. (Org.) José A. M.
Pessanha. 4.ª ed., v. 2, São Paulo: Nova Cultural, 1991 (com adaptações).
A partir das ideias constantes nesse fragmento de texto, julgue o item a seguir.
Com o objetivo de promover os valores éticos para o bem da sociedade, a fórmula aristotélica da mediania propõe a rigorosa punição dos vícios pelos agentes públicos, simbolizados no texto pela profissão de juiz.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A afirmação é errada porque interpreta equivocadamente a ética aristotélica: não se trata de preconizar a punição rigorosa dos vícios por agentes públicos.
Para Aristóteles, a virtude moral é um meio-termo entre dois vícios (excesso e deficiência); é uma disposição para agir com a medida correta nas paixões e nos atos. Em termos sintéticos: \( \text{virtude} = \text{meio-termo} \).
O texto apresenta o juiz como um intermediário que restabelece a igualdade e decide o que é justo — isto é, busca o ponto equidistante entre perda e ganho. Não se enfatiza a severidade punitiva, mas a decisão equilibrada que promove a justiça como meio-termo.
Portanto, afirmar que a fórmula aristotélica propõe rigor punitivo pelos juízes é incorreto.
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