Questão FC229465
Está, pois, suficientemente esclarecido que a virtude moral é um meio-termo entre dois vícios, um dos quais envolve excesso e o outro, deficiência, e isso porque a sua natureza é v
Ética (Aspectos Teóricos)
CEBRASPE (CESPE) · 2018
Está, pois, suficientemente esclarecido que a virtude moral é um meio-termo entre dois vícios, um dos quais envolve excesso e o outro, deficiência, e isso porque a sua natureza é visar à mediania nas paixões e nos atos.
Do que acabamos de dizer segue-se que não é fácil ser bom, pois em todas as coisas é difícil encontrar o meio-termo.
(...)
A justiça corretiva será o intermediário entre a perda e o ganho. Eis aí por que as pessoas em disputa recorrem ao juiz; e recorrer ao juiz é recorrer à justiça, pois a natureza do juiz é ser uma espécie de justiça animada; e procuram o juiz como um intermediário, e em alguns Estados os juízes são chamados mediadores, na convicção de que, se os litigantes conseguirem o meio-termo, conseguirão o que é justo. O justo, pois, é um meio-termo, já que o juiz o é. Ora, o juiz restabelece a igualdade.
Aristóteles. Ética a Nicômaco. In: Os pensadores. (Org.) José A. M.
Pessanha. 4.ª ed., v. 2, São Paulo: Nova Cultural, 1991 (com adaptações).
A partir das ideias constantes nesse fragmento de texto, julgue o item a seguir.
Conforme a ética aristotélica, o meio-termo deve ser buscado por todas as pessoas como principal caminho para uma vida virtuosa, tanto nas ações como nas paixões humanas, a fim de se equilibrarem os vícios, tanto os decorrentes do excesso como aqueles que resultam da falta.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A assertiva é certa porque sintetiza a tese central da ética aristotélica: a virtude é uma mediania, isto é, um meio-termo entre dois vícios opostos — um por excesso e outro por falta — aplicável tanto às ações quanto às paixões.
O texto-base ilustra isso com o exemplo da justiça corretiva, que se situa entre perda e ganho; o juiz aparece como uma “justiça animada” que busca restaurar a igualdade, isto é, o meio-termo justo.
Por fim, Aristóteles admite a dificuldade prática dessa busca: ser virtuoso exige disposição habituada e uso da razão prática (phronesis) para encontrar, em cada caso, o ponto equilibrado entre extremos.
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