Questão FC229467
Visto que a virtude se relaciona com paixões e ações, e é às paixões e ações voluntárias que se dispensa louvor e censura, enquanto as involuntárias merecem perdão e às vezes pieda
Ética (Aspectos Teóricos)
CEBRASPE (CESPE) · 2018
Visto que a virtude se relaciona com paixões e ações, e é às paixões e ações voluntárias que se dispensa louvor e censura, enquanto as involuntárias merecem perdão e às vezes piedade, é talvez necessário a quem estuda a natureza da virtude distinguir o voluntário do involuntário. Tal distinção terá também utilidade para o legislador no que tange à distribuição de honras e castigos. São, pois, consideradas involuntárias aquelas coisas que ocorrem sob compulsão ou por ignorância; e é compulsório ou forçado aquilo cujo princípio motor se encontra fora de nós e para o qual em nada contribui a pessoa que age e que sente a paixão — por exemplo, se tal pessoa fosse levada a alguma parte pelo vento ou por homens que dela se houvessem apoderado.
(...)
No que tange a dar ou receber dinheiro, a mediania é a generosidade; o excesso é a prodigalidade, e a deficiência, a mesquinhez, mas o indivíduo pródigo e o mesquinho são excessivos e carentes de maneiras opostas entre si; o pródigo se excede em dar e é deficiente em obter, enquanto o mesquinho se excede em obter e é deficiente em dar.
Aristóteles. Ética a Nicômaco. In: Os pensadores. (Org.) José A. M.
Pessanha. 4.ª ed. Vol. 2. São Paulo: Nova Cultural, 1991 (com adaptações).
A partir do fragmento de texto antecedente, julgue o item a seguir.
Segundo Aristóteles, a prodigalidade e a mesquinhez correspondem a vícios, marcados pelo excesso e pela falta respectivamente, ao passo que a generosidade corresponde a uma virtude a ser buscada voluntariamente para se encontrar a mediania.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A assertiva foi julgada CERTO porque condensa a doutrina aristotélica da mediania: a virtude é um meio entre dois extremos, sendo o excesso e a falta característicos do vício.
No exemplo citado sobre dinheiro, prodigalidade (gastar demais) é o excesso; mesquinhez (reter demais) é a falta; e a generosidade é a média apropriada, ou seja, a virtude.
Além disso, o trecho inicial ressalta a distinção entre atos voluntários e involuntários: só os voluntários são passíveis de louvor ou censura, portanto a busca pela generosidade pressupõe escolha consciente.
Portanto a frase reflete corretamente que prodigalidade e mesquinhez são vícios extremos e que a generosidade, escolhida voluntariamente, é a virtude equilibrada.
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