Questão FC229591
Visto que a virtude se relaciona com paixões e ações, e é às paixões e ações voluntárias que se dispensa louvor e censura, enquanto as involuntárias merecem perdão e às vezes pieda
Ética (Aspectos Teóricos)
CEBRASPE (CESPE) · 2018
Visto que a virtude se relaciona com paixões e ações, e é às paixões e ações voluntárias que se dispensa louvor e censura, enquanto as involuntárias merecem perdão e às vezes piedade, é talvez necessário a quem estuda a natureza da virtude distinguir o voluntário do involuntário. Tal distinção terá também utilidade para o legislador no que tange à distribuição de honras e castigos. São, pois, consideradas involuntárias aquelas coisas que ocorrem sob compulsão ou por ignorância; e é compulsório ou forçado aquilo cujo princípio motor se encontra fora de nós e para o qual em nada contribui a pessoa que age e que sente a paixão — por exemplo, se tal pessoa fosse levada a alguma parte pelo vento ou por homens que dela se houvessem apoderado.
(...)
No que tange a dar ou receber dinheiro, a mediania é a generosidade; o excesso é a prodigalidade, e a deficiência, a mesquinhez, mas o indivíduo pródigo e o mesquinho são excessivos e carentes de maneiras opostas entre si; o pródigo se excede em dar e é deficiente em obter, enquanto o mesquinho se excede em obter e é deficiente em dar.
Aristóteles. Ética a Nicômaco. In: Os pensadores. (Org.) José A. M.
Pessanha. 4.ª ed. Vol. 2. São Paulo: Nova Cultural, 1991 (com adaptações).
A partir do fragmento de texto antecedente, julgue o item a seguir.
O indivíduo pródigo do modelo aristotélico deve servir de modelo para a ação ética no serviço público, haja vista ser ele, ao contrário do mesquinho, exemplo de generosidade.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A assertiva foi julgada ERRADO porque confunde conceitos aristotélicos: para Aristóteles a excelência moral é a virtude entendida como mediania, isto é, o meio entre dois extremos viciosos.
No caso do dar e receber, a generosidade é a virtude média; já a prodigalidade representa o excesso (vício) e a mesquinhez a falta (vício). Portanto, o indivíduo pródigo não é modelo ético, pois sua conduta é desequilibrada.
No serviço público, espera-se comportamento virtuoso e prudente visando o bem comum; seguir a prodigalidade seria adotar um vício, não um exemplo a ser imitado.
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