Questão FC276324
Paulo, executivo do mercado financeiro, após um dia estressante de trabalho, foi demitido. O mundo desabara sobre sua cabeça. Pegou seu carro e o que mais queria era chegar em casa
Teorias Sociológicas da Criminalidade (Sociologia Criminal)
Paulo, executivo do mercado financeiro, após um dia estressante de trabalho, foi demitido. O mundo desabara sobre sua cabeça. Pegou seu carro e o que mais queria era chegar em casa. Mas o horário era de rush e o trânsito estava caótico, ainda chovia. No interior de seu carro sentiu o trauma da demissão e só pensava nas dívidas que já estavam para vencer, quando fora acometido de uma sensação terrível: uma mistura de fracasso, com frustração, impotência, medo e etc. Neste instante, sem quê nem porque, apenas querendo chegar em casa, jogou seu carro para o acostamento, onde atropelou um ciclista que por ali trafegava, subiu no passeio onde atropelou um casal que ali se encontrava, andou por mais de 200 metros até bater num poste, desceu do carro meio tonto e não hesitou, agrediu um motoqueiro e subtraiu a motocicleta, evadindo-se em desabalada carreira, rumo à sua casa. Naquele dia, Paulo, um pacato cidadão, pagador de impostos, bom pai de família, representante da classe média-alta daquela metrópole, transformou-se num criminoso perigoso, uma fera que ocupara as notícias dos principais telejornais. Diante do caso narrado, identifique dentre as Teorias abaixo, a que melhor analisa (estuda/explica) o caso.
- Escola de Chicago.
- Teoria da associação diferencial.
- Teoria da anomia.
- Teoria do labeling approach.
- Teoria crítica.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A narrativa exemplifica a teoria da anomia, desenvolvida por Merton a partir de Durkheim. Trata-se de uma explicação funcionalista: quando há desconexão entre as metas culturais valorizadas (ex.: status, segurança financeira) e os meios institucionalizados para alcançá‑las, instala‑se uma situação de anomia — perda de coesão normativa.
No caso, a demissão gera frustração aguda e impossibilidade imediata de atingir metas econômicas; essa tensão provoca ruptura das inibições sociais e leva o indivíduo a adotar meios ilegítimos.
Assim, a teoria explica a transformação do cidadão em agente criminoso como resposta ao fracasso no atingimento das metas e à criação de regras próprias (modo de adaptação tipo inovação), não apenas como patologia individual.
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