Questão FC276508
A polícia moderna de hoje não está tão longe assim de seus antepassados colonialistas. Ela também impõe um sistema de leis projetado para reproduzir e manter a desigualdade econômi
Temas Contemporâneos (Nova Criminologia)
FCC · 2023
A polícia moderna de hoje não está tão longe assim de seus antepassados colonialistas. Ela também impõe um sistema de leis projetado para reproduzir e manter a desigualdade econômica, geralmente desenhado a partir de contornos racializados.
(VITALE, Alex S. Fim do Policiamento. São Paulo: Autonomia Literária, 2021, p. 98)
Considerando o trecho acima e o ideário da criminologia crítica, é possível dizer que as forças policiais no Brasil
- possuem um papel estrutural na manutenção do modo de produção vigente e sua reforma com medidas tecnocráticas não altera sua estrutura racista.
- possuem como papel central a guerra às drogas desde seu surgimento no período colonial até os dias atuais, de modo que o combate a seu papel racista exige uma revisão da política de drogas.
- são condizentes com os ditames da política criminal atuarial ao longo da história, o que se acentua no Brasil moderno.
- surgem de forma concomitante ao início da colonização e a militarização atinge toda a sua estrutura.
- não sofreram reformas ao longo da história, sendo devido melhor treinamento para que se sensibilizem os policiais em uma atuação sem seletividade racial.
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Gabarito
A
Comentário do professor
A afirmação está alinhada com a criminologia crítica, que vê a polícia como parte integrante de um sistema social e econômico mais amplo. A função policial não é neutra: age para preservar a ordem que sustenta o modo de produção vigente, protegendo propriedades e hierarquias.
Por isso fala-se em papel estrutural: a ação policial seleciona e controla populações marginalizadas, reproduzindo desigualdades raciais e sociais por meio de práticas e políticas cotidianas.
Reformas meramente administrativas ou técnicas — as chamadas medidas tecnocráticas — podem ajustar procedimentos, mas não alteram a lógica subjacente. A estrutura racista persiste enquanto não se qüestionarem os fins sociais que a polícia serve.
Assim, combater a injustiça requer mudanças estruturais no projeto socioeconômico e nas finalidades da política de segurança, não apenas aperfeiçoamentos técnicos.
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