Questão FC514692
Amora, 5 anos de idade, comparece para atendimento psicológico devido a quadro de insegurança, instabilidade emocional, choro fácil e medo de morrer. Há 20 dias parou de falar na e
Psicologia Clínica e da Saúde
CEBRASPE (CESPE) · 2025
Amora, 5 anos de idade, comparece para atendimento psicológico devido a quadro de insegurança, instabilidade emocional, choro fácil e medo de morrer. Há 20 dias parou de falar na escola. A família acredita que o quadro de Amora tem relação com “a energia do ambiente familiar” (sic). Os pais estão em processo de separação, mas ainda não contaram para a criança. Desejam fazê-lo, mas entendem a importância de todo o processo ser auxiliado pela profissional, a fim de evitarem maiores repercussões emocionais. A ideia do acompanhamento psicológico de Amora estende-se aos pais também, dado o momento difícil e peculiar que todos os envolvidos vêm passando.
A primeira sessão de Amora chama a atenção do profissional. A criança apresenta algumas manchas roxas nos braços. Mantém-se cabisbaixa e quieta no canto da sala. Ao final do primeiro encontro, após algumas tentativas de aproximação e investida do profissional, a criança se recusa a sair da sala. Diante do ocorrido, os pais são agendados separadamente para uma sessão com o profissional.
Considerando o caso hipotético apresentado, o código de ética profissional do psicólogo, sua atuação, as abordagens teóricas e a psicopatologia, julgue o item a seguir.
Amora atende a critérios de transtorno disruptivo da desregulação do humor.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A afirmação é errada porque o transtorno disruptivo da desregulação do humor exige como critérios centrais explosões de raiva recorrentes (verbais e/ou comportamentais) e humor persistentemente irritável entre as explosões, com frequência de ≥3 vezes/semana, presente por duração ≥12 meses e em pelo menos dois contextos.
No caso de Amora (5 anos) não há descrição de explosões de raiva; os sintomas relatados são de insegurança, choro fácil, medo de morrer e mutismo seletivo na escola há ~20 dias, ou seja, tempo insuficiente e sintomatologia compatível com ansiedade, reação a separação ou trauma. Além disso, há exclusão etária: o diagnóstico não é indicado antes de 6 anos.
Portanto, não se pode diagnosticar transtorno disruptivo da desregulação do humor; procede investigação diferencial (ansiedade, transtorno de ajustamento, mutismo seletivo, suspeita de maus‑tratos) e medidas ético‑legais de proteção à criança.
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