Questão FC210599
Assinale a alternativa que representa o atual entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça acerca da interdição.
Jurisprudência dos Tribunais Superiores em Matéria Processual Civil
VUNESP · 2024
Assinale a alternativa que representa o atual entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça acerca da interdição.
- Os atos do interditado anteriores à interdição devem ser reconhecidos como nulos, decorrendo automaticamente da sentença de interdição.
- A ordem dos legitimados para ajuizamento da ação de interdição prevista no Código de Processo Civil é preferencial e deve ser seguida sob pena de nulidade.
- O laudo médico não pode ser dispensado na propositura da ação de interdição.
- A sentença de interdição possui natureza constitutiva, pois, além de declarar uma incapacidade preexistente, ela constitui uma nova situação jurídica, de sujeição do interditado à curatela, com efeitos ex tunc.
- Nas causas em que a intervenção do Ministério Público é obrigatória, por envolver interesse de incapaz, é necessária a demonstração de prejuízo para que haja o reconhecimento da nulidade processual.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Na alternativa correta, temos a afirmativa de que, nas causas em que a intervenção do Ministério Público é obrigatória, especialmente quando se envolve o interesse de um incapaz, é necessário demonstrar o prejuízo para que se reconheça a nulidade processual.
Esse entendimento é fundamental, pois a mera ausência de intimação do Ministério Público não implica automaticamente na anulação do ato judicial. O que se busca é proteger a verdade substancial da questão, garantindo que nenhum ato seja considerado nulo sem antes avaliar se tal ausência gerou, de fato, um prejuízo para as partes envolvidas.
O princípio que embasa essa afirmação é o pas de nullité sans grief, que significa que não há nulidade sem um prejuízo. Isso significa que é necessário verificar se a falta da intervenção do Ministério Público causou algum impacto negativo no resultado do processo, seja para a parte incapaz ou para a justiça em geral.
Esse entendimento foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.694.984/MS, evidenciando a importância de considerar as consequências práticas da falta de intimação antes de decretar a nulidade do julgado.
Assim, a alternativa E reflete o atual posicionamento da jurisprudência, enfatizando a necessidade de provas concretas de prejuízo para assegurar que o devido processo legal seja respeitado, mesmo em casos que exigem a proteção do Ministério Público.
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