Questão FC401227
Qual é o diagnóstico mais provável nesse paciente?
Medicina Legal
VUNESP · 2023
Homem de 53 anos com história de hipertensão arterial e diabetes tipo 2 é internado para correção cirúrgica de uma dissecção da aorta descendente. Ao acordar da cirurgia, ele não consegue mover as pernas quando solicitado pela fisioterapia. O exame neurológico demonstra paralisia flácida de suas extremidades inferiores com reflexos ausentes. Ele tem perda sensorial para picada de alfinete e temperatura abaixo do meio do abdome. No entanto, a vibração e a propriocepção estão intactas.
Qual é o diagnóstico mais provável nesse paciente?
- Distúrbio de conversão.
- Infarto espinhal anterior.
- Mielite transversa.
- Polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória aguda.
- Radiculoplexopatia diabética.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Trata‑se de um infarto espinhal anterior, compatível com o quadro pós‑cirúrgico.
A artéria espinhal anterior irriga os 2/3 anteriores da medula, incluindo os tratos corticoespinhais (função motora) e os tratos espinotalâmicos (dor e temperatura).
Lesão nessa artéria causa paralisia motora e perda de dor/temperatura abaixo do nível lesado.
As colunas posteriores, responsáveis por vibração e propriocepção, são supridas pelas artérias espinhais posteriores e, por isso, costumam ser poupadas — explicando a conservação dessas modalidades sensoriais.
Em cirurgias aórticas há risco de comprometimento de radiculares (p.ex. artéria de Adamkiewicz), precipitando isquemia da artéria espinhal anterior e o quadro clínico descrito. Observa‑se também fase inicial de choque medular com hipotonia e arreflexia.
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