Questão FC641285
O psiquiatra forense, como todo médico em geral, não pode perder de vista que a simulação não é um fato tão excepcional nas suas atividades profissionais, principalmente na função
Medicina Legal
FGV · 2026
O psiquiatra forense, como todo médico em geral, não pode perder de vista que a simulação não é um fato tão excepcional nas suas atividades profissionais, principalmente na função de perito. Pode-se dizer que é na perícia psiquiátrica que a simulação é mais comum, onde o profissional deve estar especialmente atento à coerência da evolução do quadro, à observação de terceiros imparciais e à congruência entre os relatos e o exame psicopatológico (do estado mental).
Com base na obra de FRANÇA, Genival Veloso de (Medicina Legal. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018) e Barros DMT, Teixeira EH (Manual de perícias psiquiátricas. Porto Alegre: Artmed; 2015), assinale dentre as opções, aquela que está correta no contexto médico-legal e pericial.
- Enquanto a simulação refere-se a apresentação de sinais e sintomas falsos, a parassimulação é o exagero de sinais e sintomas realmente existentes.
- Neste contexto, a simulação tem o objetivo de manipular a conclusão pericial.
- A dissimulação é o ato de mentir a respeito de sintomas ou da ausência deles.
- A simulação é uma evidência de transtorno factício.
- O perito sempre deve pressupor em qualquer ato pericial psiquiátrico a possibilidade de simulação.
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Gabarito
B
Comentário do professor
Simulação é a produção ou invenção consciente de sinais e sintomas por parte do periciando, motivada por dolo. O objetivo central desse comportamento é alterar a percepção do avaliador e, assim, influenciar a conclusão pericial a fim de obter vantagens.
Essas vantagens, chamadas de ganho secundário, podem ser de ordem material, jurídica ou administrativa, e determinam a razão prática da fraude.
Para identificar simulação o perito deve valorizar a coerência da evolução dos sintomas, a observação de terceiros imparciais e a congruência entre o relato do avaliado e o exame psicopatológico. Inconsistências temporais, respostas contraditórias e evidências objetivas que não confirmam queixas subjetivas aumentam a suspeita.
Por fim, a conclusão pericial deve estar tecnicamente fundamentada e expor claramente as bases que justificaram a identificação de simulação, com registro de fontes e métodos utilizados.
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