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Questão FC66067

O Código de Processo Civil dedicou capítulo próprio para tratar das normas fundamentais do processo civil. Mais do que meras diretrizes interpretativas, as normas fundamentais poss

Normas Fundamentais e Aplicação das Normas Processuais (arts. 1º a 15 e CF/1988)

FGV · 2023

O Código de Processo Civil dedicou capítulo próprio para tratar das normas fundamentais do processo civil. Mais do que meras diretrizes interpretativas, as normas fundamentais possuem força cogente e repercutem na aplicação de diversos institutos processuais.
A respeito do tema, é correto afirmar que
  1. a boa-fé processual impõe às partes o dever de adotar comportamento ético e leal no curso do processo, tratando-se de irradiação do princípio da boa-fé objetiva, oriundo do Direito privado.
  2. o dever de fundamentação das decisões judiciais impede o uso da fundamentação per relationem, a qual é refutada pelo Superior Tribunal de Justiça após o advento do CPC de 2015.
  3. em razão da obrigatoriedade da observância da ordem cronológica de conclusão, juízes e tribunais, em nenhuma hipótese poderão proferir decisões que não sigam tal ordem, sob pena de nulidade da decisão e responsabilização administrativa e civil do magistrado prolator.
  4. conquanto se trate de direito fundamental, a duração razoável do processo não foi reaplicada expressamente como norma fundamental do processo civil, pelo que sua aplicação é restrita aos processos de natureza penal.
  5. em nome do contraditório prévio, ressalvadas as matérias sobre as quais pode decidir de ofício, é vedado ao magistrado decidir com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Alternativa correta: A boa-fé processual, prevista no art. 5º do CPC/2015, realmente impõe às partes o dever de adotar um comportamento ético e leal no curso do processo. Esse princípio é uma irradiação da boa-fé objetiva, que é amplamente reconhecida no Direito privado. A boa-fé processual tem como objetivo assegurar a cooperação entre as partes e o respeito ao devido processo legal, promovendo a transparência e a justiça nas relações processuais.


Alternativas incorretas:

B: O dever de fundamentação das decisões judiciais, embora exija uma explicação clara, não impede o uso da fundamentação per relationem, que é a utilização de decisões anteriores como base para a nova decisão. O STJ já reconheceu essa possibilidade, mesmo após o advento do CPC de 2015, desde que a fundamentação seja suficiente.


C: A ordem cronológica de conclusão deve ser observada, porém há exceções previstas em lei, como em casos de urgência ou tutela provisória, onde o juiz pode decidir fora da ordem. A afirmação de nulidade automática e responsabilização do magistrado é exagerada e não reflete a prática processual.


D: A duração razoável do processo é, sim, um direito fundamental, mas sua aplicação não se limita aos processos de natureza penal. O art. 5º, LXXVIII, da CF/1988 assegura esse direito em todas as esferas judiciais, incluindo a civil, e o CPC/2015 também reforça essa premissa.


E: O contraditório prévio é um princípio fundamental, mas a afirmação de que o magistrado não pode decidir com base em fundamento que não foi objeto de manifestação das partes, salvo em matérias que possam ser decididas de ofício, não é totalmente correta. O juiz pode decidir em situações de urgência ou de evidente necessidade, ainda que não tenha havido manifestação prévia das partes.

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