Questão FC372453
Quando eu era criança, pensava que a felicidade só chegaria quando eu fosse adulto, ou seja, autônomo, respeitado e reconhecido pelos outros como dono do meu nariz. Contrariando es
Lógica de Proposições
FCC · 2018
Quando eu era criança, pensava que a felicidade só chegaria quando eu fosse adulto, ou seja, autônomo, respeitado e reconhecido pelos outros como dono do meu nariz. Contrariando essa minha previsão, alguns adultos me diziam que eu precisava aproveitar bastante minha infância para ser feliz, pois, uma vez chegado à idade adulta, eu constataria que a vida era feita de obrigações, renúncias, decepções e duro labor. Cheguei à conclusão de que, ao longo da vida, nossa ideia da felicidade muda: quando a gente é criança ou adolescente, a felicidade é algo que será possível na idade adulta; quando a gente é adulto, a felicidade é algo que já se foi: a lembrança idealizada (e falsa) da infância e da adolescência como épocas felizes. A felicidade é uma quimera que seria sempre própria de uma outra época da vida − que ainda não chegou ou que já passou.
(Disponível em: ccalligari@uol.com.br)
A partir do texto, afirma-se corretamente:
- É conclusão do autor que a felicidade é uma utopia, uma vez que se tem a ilusão de que ela está sempre fora de alcance, ora no passado, ora no futuro.
- A ideia que o autor mantinha na infância sobre a possibilidade de alcançar a felicidade quando adulto se confirmou futuramente.
- O conselho que o autor recebeu de adultos quando criança possibilitou-lhe aproveitar melhor a infância, época em que imaginava ser de fato feliz.
- O autor deduz erroneamente que apenas os adultos podem alcançar a felicidade, ressentindo-se, assim, de não ter usufruído os fugazes momentos felizes da infância.
- Deduz-se que os adultos que contrariaram a ideia de felicidade manifestada pelo autor quando criança tiveram, eles próprios, uma vida adulta marcada por decepções e renúncias aos projetos forjados na infância.
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Gabarito
A
Comentário do professor
O autor descreve três momentos: a crença infantil de que a felicidade virá com a idade adulta, o conselho de adultos que idealizam a infância, e a síntese final: a ideia de que a felicidade é sempre projetada para outra fase da vida.
Desse percurso ele conclui que a felicidade é uma quimera — isto é, uma utopia — porque vive como ilusão, continuamente deslocada para o futuro (quando criança) ou para o passado (quando adulto).
Portanto, a afirmação central do texto não é que alguém efetivamente foi feliz em uma fase, mas que a percepção comum torna a felicidade algo sempre fora de alcance, justificando a alternativa correta.
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