Questão FC372458
Nos textos gregos e romanos, a injunção para conhecer-se a si mesmo está sempre associada àquele outro princípio que é o cuidado de si, e é essa necessidade de tomar conta de si qu
Lógica de Proposições
FCC · 2021
Nos textos gregos e romanos, a injunção para conhecer-se a si mesmo está sempre associada àquele outro princípio que é o cuidado de si, e é essa necessidade de tomar conta de si que torna possível a aplicação da máxima délfica. Essa ideia, implícita em toda a cultura grega e romana, torna-se explícita a partir do Alcibíades I de Platão. Nos diálogos socráticos, em Xenofonte, Hipócrates, e em toda a tradição neoplatônica que começa com Albino, o indivíduo deve tomar conta de si mesmo. Deve ocupar-se de si antes de colocar em prática o princípio délfico. O segundo princípio se subordina ao primeiro.
(FOUCAULT, Michel. As técnicas de si. Traduzido por Karla Neves e Wanderson Flor do Nascimento a partir de FOUCAULT, Michel. Dits et écrits. Paris: Gallimard, 1994, v. IV, p. 783-813)
A referência ao diálogo Alcibíades I de Platão é um argumento
- de exemplo, que se confirma na ilação sucedida na referência aos diálogos socráticos, a Xenofonte e a Hipócrates.
- sofístico, porque a estrutura de diálogo contribui para o efeito teatral e falso da injunção referida por Michel Foucault.
- de autoridade, confirmado pela existência de uma tradição neoplatônica, segundo Michel Foucault.
- silogístico, porque a lógica do raciocínio de Michel Foucault constrói-se por premissas e síntese conclusiva.
- histórico, porque especifica o modo como os gregos e romanos cuidavam de si cotidianamente.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A invocação de Alcibíades I por Michel Foucault funciona como um argumento de autoridade: ele recorre a uma obra canônica de Platão para dar fundamento à afirmação central.
Ao citar um texto reconhecido, Foucault transfere para sua tese a legitimidade histórica e filosófica dessa fonte, reforçando a ideia de que "para conhecer‑se a si mesmo, deve‑se cuidar de si primeiro" com respaldo intelectual.
Além disso, a menção explícita à tradição neoplatônica atua como confirmação dessa autoridade: não é só um texto isolado, mas uma linha interpretativa contínua que corrobora a leitura apresentada.
Assim, a referência não busca provar empiricamente a tese, mas sustentar‑a por meio do prestígio e da aceitação de autores e tradições reconhecidos, característica típica do argumento de autoridade.
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